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Transporte Sentimental



Domingo, 28.09.14

«espaço livre com barcos» de graça pires

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Depois do primeiro livro em 1990 («Poemas») que recebeu o Prémio Revelação da Associação Portuguesa de Escritores, Graça Pires surge com este «Espaço livre com barcos», o seu 16º titulo de Poesia. O ponto de partida deste longo poema de 40 páginas é um lugar, o início de uma viagem: «Da casa que me separa da infância /avistava-se o lugar onde as águas / mais espessas do rio se juntam ao mar. /A foz. A ondulação crescente / desafiando as areias.» A narrativa poética vem da autobiografia («Eu te baptizo em nome do mar / disse minha mãe com barcos na voz.») mas, depois de passar pelos poemas à filha («Junto ao cais não digas adeus ao teu amado») e ao filho («Ajusta a areia aos teus dedos de criança»), à irmã («Tempo de criança: tão longe/ e tão próximo do teu nome») e ao irmão («Instáveis como as sombras, as nuvens / perpassam o teu olhar carregado de melancolia») e também ao companheiro («Encostado à amurada de um navio / recordas viagens inacabadas»), este livro de Graça Pires vem convocar uma dupla inscrição (vida e literatura) como nos poemas que são dedicados a escritores - Marta López Vilar e Victor Mateus. Vejamos o primeiro: «No ventre da tua mãe começaste a amar as águas. / E soubeste como se abrem os diques da pele / para jorrarem em litorais que explodem / as marés assediadas pela lua. / Depois quiseste ser cais e barco, / âncora e vela, abrigo e naufrágio. / Tens agora um mar aberto a inundar-te o olhar. / Para sempre.» Reparemos no segundo: «És um navegante solitário. / Cartografas com precisão / todos os vórtices. / E deixas que uma luz coada / entre no convés, pela escotilha, / para esqueceres como são brutais / e longas as cordas da noite / quando recolhes os despojos / dos naufrágios mais secretos.» Entre o «sangue pisado» da biografia e o «estilo» da escrita, Graça Pires prova saber, como Camilo Castelo Branco, que «A poesia não tem presente: ou é esperança ou saudade». (Editora: Poética Edições) --

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por José do Carmo Francisco às 10:40


1 comentário

De Graça Pires a 28.09.2014 às 11:07

Obrigada Zé do Carmo. É o teu jeito sempre generoso de seres o primeiro e tantas vezes o único a falar dos meus livros. Gostei muito. Um beijo.

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