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Transporte Sentimental



Quarta-feira, 23.12.15

«doze casamentos felizes» de camilo castelo branco

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O ponto de partida destas doze «historinhas» como lhe chama Camilo Castelo Branco (1825-1890) é uma constatação: «Raro marido há aí que, uma vez ao menos em cada dia, não se arrependa de o ser.» A história do primeiro casamento termina com Luís de Cernache e Cândida de Lima a encontrarem-se num Convento onde a segunda entrou logo que se despediu do primeiro de partida para Lisboa. Estava ela doente mas o amor curou seus males: «A viúva nem chama quem lhe dê os vestidos. Veste-se atabalhoadamente. Vai sair mas retrocede a mirar-se e a remirar-se ao espelho.» As outras onze histórias têm heróis e heroínas com nomes vulgares: João António e Ângela, Maria da Luz e João Nunes, Duarte e Inês, Caetana e Januário, Teresa e Bernardo, Tomás e Maria da Piedade, Rosa e Bento, Jorge e Maria, Sofia e Jácome, Ana e Francisco, Pedro e Carolina. Os nomes podem ser vulgares mas as histórias é que não. A oposição entre a Cidade e as Serras (Lisboa e o Barroso) aparece na página 80 (sexto casamento): «Eu também fiz o milagre de ir às Alturas de Barroso. Ora vejam os meus amigos do Chiado e do Café Martinho por onde eu tenho andado!» O humor de Camilo está por exemplo na página 111 (oitavo casamento) quando a propósito do vinho um ex-soldado de França lhe afirma: «Se Napoleão tivesse levado uma dúzia de pipas deste para a Bélgica, não perdia a batalha de Waterloo.» Outra história na História passa-se em 1557 na Índia e o humor de Camilo surge de novo na página 127 (nono casamento): «Finda a solenidade houve grande algazarra de artilharia, campainhas, charamelas, atabales, buzinas, sacabuxas, e muitos outros instrumentos de sopro que só de enumera-los se arrepiam os nervos.» A bonomia de Camilo disfarça o humor e adverte o reumatismo no quinto casamento («Nem o reumatismo resiste ao fino e santo amor conjugal!») tal como a comiseração no sétimo casamento («A generosidade que move um homem a sacrificar a sua vida a uma mulher doente deve ser muitas vezes ferida pelo arrependimento»). Apesar de ser natural de Lisboa, Camilo proclama as mulheres do Norte como as mais bonitas no décimo segundo: «camponesas da Maia, padeiras de Valongo e Avintes, lavradeiras de S. Cosme e Fânzeres, varinas de Espinho e Ovar!». A moral da história e das doze histórias está no 12º casamento e na página 169: «O coração é muito e a felicidade doméstica é tudo». (Editora: Aletheia, Capa/Paginação: Hugo Neves) --

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por José do Carmo Francisco às 10:53



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