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Transporte Sentimental



Quinta-feira, 12.03.15

coruche - lembrança para uma certa casa num bilhete-postal

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Outro dia comprei num velho alfarrabista na Rua das Portas de Santo Antão dois postais antigos; um colorido da igreja manuelina da Conceição Velha e o outro a preto e branco com a fachada do Hospital de Coruche. O primeiro já o integrei num texto deste blog e já o enviei num envelope para a Marina Tavares Dias, autora de vários livros e incansável colecionadora de coisas antigas de Lisboa. Ora o segundo vai ter de esperar porque entretanto surgiu-me a memória da minha mais recente deslocação a Coruche e de uns postais bonitos que comprei no Museu Municipal. No mesmo dia, o grupo foi a São Torcato visitar o Museu Salgueiro Maia que é a antiga Escola Primária da terra transformada em memória viva de um certo tempo e de um certo país que mais tarde foi de Abril mas que, passados quarenta anos, já não é. Tenho ideia de que gostava de morar numa dessas casas humildes, perto da lareira sempre acesa, perto dos meus cadernos onde escrevo textos que quase ninguém lê. E todas as casas são belas com flores à porta; umas em vasos, outras em panelas velhas com terra. Para quem nasceu e viveu na Estremadura, o Ribatejo não é longe. Para quem viveu em Santa Catarina até 1957 e depois no Montijo de 1957 a 1961 e, mais tarde, em Vila Franca de Xira de 1961 a 1966, tendo integrado em Santarém a redacção do jornal O MIRANTE entre 1997 e 2001, para mim, olhar encantado este grupo de casas não é de estranhar. Anónimo e discreto, despercebido e calado, isolado e desconhecido, uma casa destas, uma casa térrea, vinha mesmo a calhar. No frio da solidão só a lareira acesa todo o dia pode ajudar a aquecer uma escrita que passa ao lado da vida de quase toda a gente. As poucas excepções só ajudam a confirmar a regra. Aquelas flores à porta das casas todas iguais são um apelo a ficar. E um desafio. --

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por José do Carmo Francisco às 13:32


1 comentário

De Joaquim Nascimento a 16.03.2015 às 11:35

Fique, poeta.

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