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Transporte Sentimental



Quinta-feira, 27.08.15

«conversas com a tia valentina» de manuela nogueira

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Manuela Nogueira começou por publicar Conto em 1962 («O dedo indicador») e Romance em 1966 («O pintor louco do meu tempo») mas a Poesia e a Literatura Infanto-Juvenil bem como a tradução e a fixação de textos («Cartas de amor») integram o seu vasto leque de interesses enquanto autora e sobrinha de Fernando (Nogueira) Pessoa (1888-1935). Esta narrativa tem como protagonista Vera («Minha mãe morreu quando eu era muito pequena e meu pai foi viver para Angola») que se dirige à Tia Valentina («filha de pai israelita, viúva de médico de ascendência judia») e recebe da mesma uma advertência solene. Primeiro em termos metafísicos («não acendas a lenha porque ainda está húmida») e depois em termos objectivos: «o tempo que estamos a viver é o único que temos, não o podemos desperdiçar». A organização do texto contém uma dupla inscrição – pessoal e mundial. De um lado a família da Tia Valentina e, do outro, o Médio Oriente e os seus problemas: «dizem os judeus que Deus lhe deu aquela terra enquanto os palestinos atestam que há mais de 1.400 anos já era habitada por árabes». Vera espreita o que a Tia Valentina escreve num livro de capa preta («O amigo que já não tenho para conversar») a funcionar como uma espécie de Facebook manual: «o facebook misterioso da Tia Valentina». Entretanto surge no Médio Oriente uma esperança chamada «One Voice Movement»: «No grupo há setenta e dois casais israelo-palestinos. Como filha e viúva de judeus e tendo vivido num kibbutz nos anos cinquenta, posso dar alguns exemplos». A esperança é ténue no meio do conflito político como ténue é a vida de um bebé prestes a nascer numa família atravessada por crises como é o caso da família da Tia Valentina. Duas gralhas («xicana» por chicana na página 83 e «demais» por de mais na página 59) não alteram o fascínio de um livro sempre em dupla inscrição e com uma mensagem final de esperança: «Afinal, judeus e palestinos são primos direitos e podem entender-se». (Editora: DG Edições, Capa: Manuel França, Prefácio: Maria Estela Guedes) --

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por José do Carmo Francisco às 11:54


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