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Transporte Sentimental



Quinta-feira, 26.11.15

clara ferreira alves chamou coitado a camilo castelo branco ou o deslize da pacalaia

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À conta de Camilo Castelo Branco (1825-1890) tive agora dois aborrecimentos; um por ignorância e outro por deslize. Na edição de 1990 da Areal Editores (Porto) surge um excelente prefácio de David Mourão-Ferreira ao lado de um texto no qual a autora afirma desconhecer (e não perguntou!) onde fica a Rua dos Calafates; nome da Rua Diário de Notícias no tempo de Camilo. Na Revista do «Expresso» de 21-11-2015, Clara Ferreira Alves afirma: «O Eça durou, o Camilo já não, coitado do Camilo, foi corrido…» Ainda se a plumitiva se referisse a Cláudio Nunes, Pinheiro Chagas e Augusto Gil que (coitados!) foram no seu tempo mais famosos do que Cesário Verde, Eça de Queirós ou Camilo Pessanha, mas não. A escriba espalha-se ao comprido num doloroso deslize, ela sim, coitada, não o Camilo Castelo Branco que continua a resistir ao desgaste do tempo e a ter leitores fiéis hoje em 2015. Escrevo esta breve nota numa casa de uma aldeia entre Proença-a-Nova e Oleiros. Vejo um livro de Camilo («Antologia Camiliana da Novela e do Romance») lado a lado com Mário Ventura («Vida e morte dos Santiagos») e com Júlio Dinis («Uma família inglesa»). Se aqui estivesse, Camilo, ao deparar-se com este deslize da pacalaia (feminino de vacão) havia de escrever algo como isto: «A estupidez é mais valente que a morte». Está na «Maria Moisés». Ou esta meditação sobre o pó e a posteridade em «Gracejos que matam»: «Este país não é para ninguém.» Quando em 1966 frequentei a tertúlia da Parceria A.M.Pereira na Rua Augusta (Ruben A., Romeu Correia, José Palla e Carmo, Luiz Pacheco, Natália Correia, Vasco Martins, Augusto Abelaira) todos eles amavam e respeitavam a obra de Camilo cuja edição popular eu comprava aos poucos: ganhava 30 escudos por dia e cada livro custava 15 escudos. Mas isso é outra história. --

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por José do Carmo Francisco às 09:18


1 comentário

De Luis Eme a 26.11.2015 às 10:58

Eu por exemplo gosto mais do Camilo que do Eça,

Tem uma forma de escrever menos artificial, com menos "rodriguinhos".

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