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Transporte Sentimental



Sábado, 19.11.16

carlos garcia de castro (1934-2016) no clube dos poetas vivos

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«Loja, Contra-loja e Armazém» de Carlos Garcia de Castro Carlos Garcia de Castro (n. 1934) é autor desde 1955 de 7 livros de poemas – o mais recente é Gloria Victis de 2007. Neste livro de memórias, o ponto de partida é o seu olhar para dentro da loja de seu pai: «Das poucas vezes que agora vou à loja – é estranho. As prateleiras não têm peças de panos. Os riscados, popelinas, os percais. As chitas, as gorgorinas, as gangas e as flanelas. Os cotins. As sarjas. Os surrobecos.» O autor apresenta-se («Cresci duma casa para a loja e para a minha rua. Sou da cidade.») e apresenta o seu livro: «este livro que fala da minha terra não a ultrapassa nem ilumina, é decididamente paroquial.» Nas suas páginas, diversa poesia surge intercalada embora o seu autor tenha advertido: «a Poesia quase não é procurada nas livrarias». Memória de um tempo e de um mundo, a família e o comércio são dois dos pilares do texto: dos irmãos António, Miguel e Maria de Jesus aos netos Mafalda, Madalena, Diogo com passagem pela divisa «O comércio é para servir mas não é criado de ninguém». Nascido na Rua dos Violeiros, sempre o autor gostou de Tunas: «Conheci-os muito bem. O sr. Madeira, violino. Os irmãos Facha, violino e guitarra. O sr. Testa. O sr. Rosado, acordeão. O Amaral com o banjo. Mestre Carvalho, acordeonista. Era a Tuna. Passava devagar.» Dentro da Cidade, surge a Loja: «Para a loja convergiam e da loja emergiam as operações e os ritmos particulares das nossas vidas. Não consigo lembrar esta cidade sem lembrar a loja». Ao longo de 213 páginas o autor mantém o projecto: «Dizer por escrito: a minha terra; a nossa casa; a loja; os rapazes (empregados); os meus pais - não cabe na literatura. Não sendo já saudade, é sentimento e sinal». O tempo da loja não era só trabalho; havia baile no salão: «Bota cá l´cença! Era a senha de quem vinha e queria bailar com aquela». Se o par se negava a transitar a rapariga, «havia porrada, todas as noites, ao sábado no salão». A memória tem coisas tangentes à realidade de agora, como o Banco de Portugal desse tempo: «Solene como uma igreja, onde se falava em surdina aos guichets, confessionários. Um luxo estático. Sobranceria. Riqueza. Discrição nos movimentos. Concentração. Tudo lá parecia uma cerimónia, os ritos apropriados, liturgia, exactidão, ameaça. Não lhes sabia o sentido». As oito páginas de fotobiografia tornam o volume ainda mais fascinante. (Edições Colibri, Capa: Raul Ladeira, Editor: Fernando Mão de Ferro) --

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por José do Carmo Francisco às 09:42



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