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Transporte Sentimental



Sábado, 20.06.15

«buffalo bill» de álvaro luís

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Há em Portugal uma poesia que não acede a montras e a escaparates nem a pandeiretas de propaganda mas não é o facto de faltar ruído à sua volta que lhe diminui o valor. Com tiragens reduzidas e um modesto circuito de divulgação, essa poesia marginalizada teima em se afirmar e justifica atenção. O Buffalo Bill da capa do livro existiu mesmo (1846-1917) mas o seu nome civil era William Frederick Cody e ganhou a alcunha quando matou perto de cinco mil búfalos em oito meses para alimentação dos trabalhadores da Kansas Pacific Railway. Depois de «Tráfego» e «Gare Oriente», este livro de Álvaro Luís mostra como é possível viver e escrever na grande cidade imaginando as planícies do Oeste. Não por acaso o livro abre com uma citação de Paulo Jorge Ricardo: «O diálogo manterá a fina subtileza do revólver. / Haverá um rio, um refúgio secreto de tudo / resgates violentos e um cavalo vítima da felicidade.» O ponto de partida do livro é a solidão povoada pelo fascínio da Banda Desenhada, do Circo e do Velho Oeste: «Hoje cavalgo / nos prados dourados / do meu pensamento». Essa solidão surge tanto dentro de casa («Filmes como este já não se fazem») como na rua: «Ficaram sós os dois / só um momento / naquela tarde de Abril ali na rua / cientes de que tudo estava perdido / menos a Esperança / que os fazia viver.» O poema viaja na cidade das colinas mas também noutros países, noutros lugares e noutros dias. Por exemplo no «Domingo»: «Um a um / sentem-se cair os Impérios / ao Domingo». Ou em Londres: «Imagino-te em Londres a passar o Natal / Good morning! / How are you?/ Vês as montras/ as ruas e as luzes». Ou na Faixa de Gaza, mostrando como o poema não se fecha no seu Mundo: «Empacotei tudo / os livros / as camisas / até a escova de dentes bem usada / esperei / estará para breve a expulsão do território / Cannã fica a poucos quilómetros daqui / esta não é a terra prometida». (Edição do Autor, Nota de contracapa: José Alberto Varandas) --

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por José do Carmo Francisco às 17:12



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