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Transporte Sentimental



Sábado, 31.10.15

«as rosas de granada» de daniel de sá

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Daniel de Sá (1944-2013) sempre sentiu um enorme fascínio pela cidade de Granada e daí o nome que inventou em 31-3-2011 para assinar os seus poemas como se fosse um poeta árabe dessa cidade – Ahmed Ben Kassin. A dedicatória («Para ti, Calie») parece expressar o anagrama de Alice, tal como Carlos de Oliveira transformou Ângela em Gelnaa. Tudo neste livro de 43 páginas forma um duplo registo no qual as batalhas, as prisões, as mortes e os amores dos protagonistas são um reflexo discreto da vida verdadeira do poeta – com os seus problemas, obstáculos e dificuldades quotidianas. De modo hábil e feliz, Daniel de Sá ergue a voz do seu poeta de Granada e proclama em cada poema o inventário de um percurso. Nesse caminho cabe o amor. Umas vezes o amor da mulher amada («A visão da minha amada é a minha alegria») outras vezes o amor dos filhos prisioneiros («Se eu tivesse o mundo, trocá-lo-ia pelos meus filhos») ou ainda o amor na brevidade do tempo: «A minha amada / faz-me a vida mais curta. / Junto dela / todo o tempo é breve.» A vida em Granada tem um calendário próprio: «O camponês deseja o Verão / para colher os frutos do seu trabalho. / Mas o guerreiro teme-o / porque é o tempo de matar e de morrer.» O título do livro vem do poema «As rosas de Granada» como prenúncio de um exílio na página 36 («Quantas vezes hei-de chorar-te, Granada?») que a página 40 acentua: «Oh, como estou longe agora da minha amada! / Não posso ver a luz dos seus olhos / nem sentir a maciez do seu corpo. / O orvalho nas rosas são lágrimas.» Na sombra deste livro existe a verdadeira guerra entre El Zagal e Boabdil depois de o segundo ter roubado o trono a seu pai (Muley Assam) mas com a vitória final de Isabel de Castela e Fernando de Aragão. Boabdil partiu para o exílio de Marrocos depois de chorar Granada e a morte da sua amada Morayama. Tudo isto aconteceu em 1485 mas a poesia faz uma aproximação, ligando de novo tudo o que o Tempo separou. (Editora: Ver Açor Lda, Design gráfico: Helder Segadães) --

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por José do Carmo Francisco às 19:46



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