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Transporte Sentimental



Terça-feira, 08.04.14

alice ruivo - «passei, parei, deixei-te um beijo»

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Depois de «O amargo e doce sabor da vida» (2001), «Matilde, Carlota e Juliana» (2004) e «No dorso do vento» (2011), o título desta quarta ficção da autora (152 páginas) tem origem na visita do protagonista (Toino) ao cemitério onde repousam os restos mortais de sua mãe, Esmeralda: «Passei, parei, deixei-te um beijo». Alice Ruivo (n.1955) organiza a narrativa a partir da figura de Toino: «A minha vida foi, toda ela, uma eterna aprendizagem que me fez chegar à flor da pele a sensibilidade de rejeitar ou gostar da infância que tive. Pois bem: não gostei.» Toino vive entre o estilo e o sangue pisado: «Pode parecer um livro iletrado. Mas se lhe falta cultura, sobra-lhe o drama pessoal e esse é todo o material de que disponho: é a minha matéria-prima.» O ponto de partida é o Bairro («No meu bairro todos os dias eram feios») e a conclusão só pode ser uma: «Tudo isso fazia com que o meu bairro fosse um lugar esquecido por Deus». Habita esse espaço uma gente especial: «Acontece que o Blé Trigo, o Zeca, o Argolas, o Torrão, o Chico Gaita e aquele bairro representavam as farpas de uma memória que não queria avivar. O cómico de outrora, as figuras anedóticas, tudo agora se tornara grotesco.» A dupla inscrição permanente nesta narrativa nota-se tanto na primeira página («O dia estava triste») como na penúltima página: «caminhámos devagar naquele esplêndido dia de Junho». O bairro de barracas surge como a metáfora perfeita do Portugal de antes do «25 de Abril» com 35 por cento de analfabetos – desorganizado, isolado, com a luz eléctrica das barracas retirada dos postes de iluminação pública. O fascínio de Toino pela vida militar (sua cadeia de comando, sua disciplina, sua hierarquia organizada) faz com que na tessitura do livro seja ele o protagonista dos três «D» do «25 de Abril» - descolonizar, democratizar e desenvolver. E até os carros de combate, junto dos quais faz a quarta classe e tira a carta de condução, são os mesmos que fizeram o princípio da vitória no «25 de Abril» no Terreiro do Paço, na Rua do Arsenal e na Avenida Ribeira das Naus. (Editora: Seda Publicações, Capa: Augusto Silva) José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 11:04



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