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Transporte Sentimental



Domingo, 04.12.16

«água das casas» de josé martinho gaspar

Agua das Casas.jpeg


Este livro de 238 páginas tem um subtítulo claro: «Memórias de uma comunidade» Trata-se de Água das Casas, aldeia na freguesia de Fontes, concelho de Abrantes, junto à albufeira do Castelo de Bode, extremo norte do distrito de Santarém. Pequena na sua dimensão estatística mas grande nas memórias que este livro documenta em modo de «fotobiografia», Água das Casas surge em vários capítulos que abarcam o seu passado, o seu presente e o seu futuro. As sementeiras e as colheitas, a Escola e a Guerra, as brincadeiras e os jogos, os casamentos e os funerais (por exemplo) integram as duas primeiras parte do livro. Só a terceira parte dava «pano para mangas», todo o capítulo relativo às famílias desta terra e às suas alcunhas: Crespos, Mouros, Frades, Esteveiras, Pequerruchos, Das trutas, Moucos e Órfãos. Um aspecto interessante neste livro é o sentido de humor. Por exemplo sobre a Escola: «pedia-se a um aluno a resolução de um problema que era de dividir. Se o aluno começava por utilizar a operação soma seguia-se uma sessão de aquecimento (com a mão, régua ou cana da Índia) da cara, da cabeça, das mãos e do rabo. A sequência continuava até o aluno acertar a resolução e secar as lágrimas.» O casamento podia ter pontos curiosos: «Emília Rosa Serras recorda que no dia do seu casamento, quando chegaram a Carvalhal, alguém disse que a GNR estaria entre Carvalhal e o Souto, pelo que a opcção foi irem apenas os noivos e os padrinhos. No regresso, algumas horas depois, quando chegaram a Carvalhal, verificaram que quase todos os homens estavam bêbedos». Na paisagem e no povoamento de uma aldeia dos anos 50 em Portugal, os «pobres» estavam sempre presentes: «Manuel da Rosa, Orlando, uma senhora espanhola, o «chófer em brasa» e dois indivíduos, pai e filho, que eram conhecidos como os «Penacova». Curioso também o apelo para evitar a poluição: «Pede-se a todas as pessoas que – Vazem os buxos antes dos lavarem na barragem – Não deitem restos das tripas na barragem e junto dela – Enterrem todos os restos UMA TERRA LIMPA E ASSEADA TEM MAIS SAÚDE NÃO É PORCA. Além das memórias e das fotografias, o livro regista um poema de Manuel Lucas que começa «Minha terra é pequenina / Não é vila nem cidade / É só uma rude aldeia / Não é bonita nem feia / Mas dela tenho vaidade.» Nota final para o futuro numa terra onde deixaram de nascer crianças: «é imperioso que se encontrem novos caminhos». (Edição: Centro Social, Cultural, Recreativo e Desportivo de Água das Casas) --

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por José do Carmo Francisco às 15:14



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