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Transporte Sentimental



Domingo, 15.03.15

a paisagem de cesare novi e os quatro elementos

Paesaggio maremmano 20x30 MSM.jpg


As casas deste povoado estão juntas nos limites da terra que são a fronteira do mar onde nenhum barco navega neste momento. A aldeia (ou a quinta, tudo conforme o nosso olhar) está debruçada sobre o azul marítimo. A aldeia ou a quinta como uma pessoa que o quadro não revela, apenas sugere. Ninguém surge nas janelas nem na estrada, onde apenas parece correr um pequeno cão. Numa gramática de sementeiras de esperança e de colheitas felizes, a primeira construção parece ser um silo onde os homens guardaram as forragens para o longo Inverno que se aproxima. Hoje não mas mais tarde, no fim do Verão, há-de vir a chuva e o vento, as bátegas serão grossas como cordas ou cabos a caírem do firmamento por sobre a terra capaz de absorver toda a água de Setembro até Dezembro. Nessa altura é que os homens terão mais tempo para falarem de sementes que estão na sua casa, a casa das sementes, ao lado da adega e dos currais. Com a chuva há um relógio invisível que tudo ordena na semana da quinta ou da aldeia. A estrada de macadame fica mais branca mas, de tão alisada, não dá origem a poças de água branca, da cor do saibro. Cesare Novi reúne os símbolos do movimento no povoado mesmo quando só revela o sossego da tarde onde apenas o cão se desloca. Ninguém atravessa a estrada a caminho do povoado onde as casas todas se vão irmanando na cor dos telhados que é comum e as identifica ao longe. São quase os quatro elementos: água e terra, ar e fogo. Os dois primeiros estão à vista, o terceiro percorre as cores do quadro e o quarto só o poderemos adivinhar nas lareiras de cada casa, enchendo de calor as divisões daquelas unidades a que todos, fora e dentro do quadro, chamamos lar. --

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por José do Carmo Francisco às 11:19


1 comentário

De Joaquim Nascimento a 16.03.2015 às 11:28

Lindas as amendoeiras em flor que me fazem lembrar o meu Douro natal.
As gentes foram trabalhar para o outro lado da colina para deixarem às abelhas as flores, avise desse gesto o pintor para que pinte abelhas e um zumbido de fundo.
Abraço do
Joaquim

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