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Transporte Sentimental



Domingo, 01.11.15

a «orion» com bocage na calçada do combro

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No número 38 da Calçada do Combro em Lisboa fica a Livraria Bocage, a mais recente aventura dessa maratonista incansável da gravura e do livro usado que se chama Fernanda Aguiar. No palácio do Correio Velho que é o local onde está a Livraria Bocage aconteceu algo misterioso a semana passada. Caía uma chuva miudinha e estava Fernanda a arrumar livros numa ponta da livraria quando um senhor entrou discretamente e lhe chamou a atenção para o preço de um livro de poemas de António Lobo Antunes: «Este livro não pode estar marcado a sete euros e meio! Já viu que é raro este homem publicar poemas? Já reparou nas ilustrações?» E perante a natural surpresa de Fernanda não se despediu à francesa. Antes de sair disse-lhe sorridente: «Vou tomar um café àquele botequim da esquina, o Orion. Apareça!» Foi tudo tão rápido que só largos minutos depois Fernanda deu uma corrida até á Pastelaria Orion. Na verdade só pode ser ela aquele botequim da esquina a que se referia o poeta Bocage. Chegou ofegante e interrogativa mas do poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage nem sombra. Ou seria mesmo a sombra do poeta? Mas a voz é parecida com a memória da voz dele na peça «Bocage alma sem mundo» de Luzia Maria Martins que Fernanda se lembra de ter visto há anos no teatro da Feira Popular. Pelo sim e pelo não, pelas gravuras e pelos livros, pelo prazer de descobrir o inesperado, vale a pena ir à livraria do número 38 da Calçada do Combro. Pode ser que o poeta Bocage ou o seu fantasma apareça de novo a comentar o preço dos livros marcado a lápis por Fernanda Aguiar na primeira página. --

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por José do Carmo Francisco às 10:44



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