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Transporte Sentimental



Quinta-feira, 25.06.15

«a liberdade do drible»de dinis machado

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O título deste livro de Dinis Machado (1930-2008), organizado por Marta Navarro é retirado de uma crónica publicada em A BOLA de 7-3-1995. O subtítulo (Crónicas de Futebol) indica a ideia genérica das 23 crónicas aqui convocadas depois de terem sido publicadas entre 1978 e 1996 em diversos jornais e revistas: A BOLA (15), O Jornal (3) Tal & Qual (3) A Bola Magazine (1) e Guia da Semana (1). O facto de Dinis Machado nunca ter sido jornalista dos quadros de A BOLA não invalida o que mais tarde, depois de no restaurante de seu pai («Farta Brutos») ter reconhecido «o fulgor e a importância de A BOLA», viria a acontecer: o primeiro convite de Carlos Pinhão para uma crónica sobre um Benfica-Sporting na Luz para a Taça de Portugal e o segundo convite de Carlos Miranda para uma série de crónicas: «No meu caso esta chegada tardia nem sequer é tardia. Chegou no mistério plácido do meu Outono, chegou bem.» O ponto de partida é o seu «eu», Dinis Machado ele-mesmo: «Andei sempre na linha avançada, um bocado maniento do golo. E do drible. Quando, nos «treinos», fazia uma perninha na baliza, acabava-me com pouco jeito. Não tinha bem tempo de saída, nem a adivinhação ou a atenção concentrada que é um autêntico sexto sentido. E tinha (no fundo, era isso) o enorme gozo de jogar com os pés.» O ponto de chegada é o silêncio: «É que esta crónica tem uma função escapista: criar sítio para que os anjos, as mulheres grávidas e os adolescentes eternos possam fugir à marcação do relógio de ponto. Por isso, leitor, hoje venho falar-te do silêncio, o silêncio que é uma espécie de maioridade da música e da hipótese de estares autorizado, nesta combustão dos ruídos físicos e mentais (teus, meus, dos outros) a ouvir o coração do pássaro.» Entre o ponto de partida e o de chegada fica o avô: «O meu avô João morreu no dia do Portugal-Espanha dos 4-1 no Jamor, o desafio de futebol que eu mais queria ver e que menos falta me fez. (…) transporto ainda nos olhos queimados pelo tabaco excessivo, uma loja tranquila, um lugar de histórias, de amor e de jornais. Legarei pouco aos outros e, nesse quase nada, ouço as palavras que recebi do meu avô, que já nem eram dele, eram do futuro. Um grande futuro teimoso.» Uma nota final para duas gralhas que aparecem na página 31 (Bayer por Bauer) e na página 46 (Norrkoepping por Norrköpping) (Editora Quetzal, Edição: Marta Navarro, Revisão: João Assis Gomes) --

Autoria e outros dados (tags, etc)

por José do Carmo Francisco às 11:24


1 comentário

De Luis Eme a 25.06.2015 às 12:51

Boa! "Grandes Golos" do Dinis! :)

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