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Transporte Sentimental



Quinta-feira, 02.01.14

raul brandão, belino costa e time out - pobres, ricos e maloios

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Quando eu morrer alguém poderá ligar o conteúdo deste Blog aos poemas do Blog «emboscadas do esquecimento» e ver em ambos a mesma tristeza, a mesma amargura e o mesmo rancor. Vivo em Lisboa desde 1966 e no BA desde 1976 mas nunca como agora vi em perigo a vida dos moradores deste Bairro. Há pouco tempo morreram dois. E quem diz moradores ou residentes, diz o comércio qua não causa danos laterais – talhos, mercearias, floristas, cafés, pastelarias ou capelistas. Para a Time Out tudo isto poderá desaparecer desde que os bares e restaurantes fiquem. E os turistas, claro, os tão queridos do vereador Sá Fernandes, autarca para quem os hotéis nunca serão de mais. Por cada livraria que fecha é um hotel que abre. Eles querem fazer do BA uma mistura de favela carioca e bairro pobre tailandês. Já surgiram os TukTuk, só faltam as borboletas. Vejamos no livro de Guilherme de Castilho «Vida e Obra de Raul Brandão» as palavras do Mestre: «Desvendaram-me a miséria de Lisboa. Falaram-me nas borboletas de dez anos que de noite se chegavam à gente dizendo: «Eu faço tudo…» Falaram-me das mulheres dos arrozais de Setúbal e, por último, um deles disse estas palavras que nunca esquecerei: «Se quer ser um escritor, fale dos pobres.» Belino Costa na carta ao director da Time Out não invoca Raul Brandão mas revolta-se contra o absurdo ponto final do título e descobre uma ligação perigosa entre e empresa Time Out e os interesses dos donos dos bares e restaurantes do BA. Ora o facto de a CML ter confiado à Time Out a gestão de um dos andares da Praça da Ribeira é motivo de desagrado para o antigo jornalista e actual comerciante. Não por acaso o director da Time Out o acusa de confundir as palavras «essências» e «essenciais» mas esse não é o maior problema. Tal consiste no facto de Belino Costa ter razão no que escreve mas pelos motivos errados. Ele está cem por cento certo ao considerar a reportagem da Time Out como «um exemplo de mau jornalismo» numa reportagem «confusa, incoerente e mal escrita». Onde não estará de todo certo é no pedido de desculpas que segundo ele deve ser feito pela Time Out aos habitantes e aos comerciantes do BA. Ora nestas 11 páginas a revista surge subserviente em relação aos bares e restaurantes. Aí Belino Costa não percebeu. Tal como no filme de Sérgio Leone há os bons, os maus e os vilões. Cem anos depois a advertência de Raul Brandão continua viva. José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 18:53



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