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Transporte Sentimental



Domingo, 17.11.13

à maneira de fernando alves ou a música na cidade de lisboa

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Existe uma música distinta e própria da cidade, a minha cidade de Lisboa como a amei em Setembro de 1966 quando aqui cheguei para trabalhar com quinze anos de idade. Era a música dos cacilheiros, das varinas, das mulheres da fava-rica, dos sons dos eléctricos de atrelado que eram muitos e circulavam por quase todas as ruas. E também das cégadas ao fim-de-semana com uma história sempre igual e no fim um lençol velho com moedas para o jantar da rapaziada que entrou na função. Quando eu morrer (já falta pouco) talvez alguém olhe para este Blog (e também para o aspirinab) e descubra o peso da música nos meus textos. A música da cidade de Lisboa passa por Carlos Paredes mas também por Ricardo Parreira, pelos músicos dos jardins e miradouros (o português Manuel Gaspar e o argentino Valentin) ao lado dos minuetos de Pedro António Avondano, da opus 63 «Une nuit à Lisbonne» de Camille Saint-Saëns e do «Prelúdio sobre um pregão de Lisboa» de Frederico de Freitas. Na música da cidade cabem também as marchas graves das procissões como a de São Roque entre bandeiras e estandartes, entre incenso e lágrimas feitas de sangue pisado. Tudo é memória a partir de uma certa idade. Na Filarmónica da Cruz Quebrada o que eu oiço é a marcha grave do Ateneu Artístico Vila-franquense em 1969 no funeral de Alves Redol ou a Filarmónica Catarinense da minha terra natal na festa da Padroeira quando eu segurava a naveta e aprendia uma regra de oiro – quem toca o sino não vê a procissão. E o Zé Pombo que tocava os sinos a pedido do meu tio Álvaro (sacristão e músico) só sabia da procissão pelo que ouvia contar. Existe uma música distinta e própria da cidade, a minha cidade de Lisboa. Disso não tenho qualquer dúvida. Procuro que as minhas crónicas sejam também o que ficou dessa música de Lisboa. José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 18:48


4 comentários

De manuel Gaspar a 19.11.2013 às 12:41

Obrigado, Francisco, pela referência e pelo testemunho recordando as coisas lindas de uma cidade sem igual. As contingências da vida, muito velho para trabalhar, mas novo ainda para a reforma, decretaram a minha forma de estar na música nos dias de hoje. Também conheci, embora por pouco tempo, essa Lisboa dos anos 60, onde aterrei em 1964 e pela qual me enamorei. Revejo aqui todas as velhas recordações e enterneço-me ao ler este artigo. Lembro-me de, naquela altura, conhecer apenas dois semáforos na cidade situados no cimo da Avenida da Liberdade, não longe do Marquês de Pombal. Era uma Lisboa viva, com alma, com emoções onde se respirava o gosto de viver. Por isso, quando o meu pai, chegou para me levar para terras gaulesas, sufocou-se-me o coração e, na primeira oportunidade, como o filho pródigo à casa regressei.
Diz-se que a nossa Lisboa é a cidade mais cantada do mundo. Pelo meu lado também dei o meu modesto contributo, compondo dois temas: um ainda inédito "Lisboa, Sonho, Amor e Ternura" e um outro "Lisboa Princesa do Mar" que faz parte do meu álbum "Cantos do Meu Fado". E, "até que a voz me doa", continuarei...

De manuel Gaspar a 19.11.2013 às 12:58

Lisboa Princesa do Mar

Passa um bando de gaivotas
Esconde-se o sol lá no poente
Já se ouvem ruídos de botas
É o fado louco irreverente
A noite desce sobre a cidade
Trinam guitarras nas vielas
Paira a névoa da saudade
Dos xailes pretos e das chinelas

Lisboa princesa do mar
Airosa a namorar
O fado seu amor primeiro
Lisboa rainha do Tejo
Sol quente calor de um beijo
Ar folio namoradeiro
Lisboa princesa do mar
Porque queres tu cantar
A bossa e o sambinha
Lisboa moçoila donzela
Brilha a luz de um estrela
Em teus olhos de alfacinha

Não atraiçoes o oceano
Ao sorrires à nova Europa
Mostra teu olhar ufano
E tuas graças de cachopa
És a capital rainha
Das capitais do ocidente
P'ra este teu povo que te acarinha
És a água fresca da nascente

Manuel Gaspar

De celeste mourão a 03.06.2016 às 10:15

gostei muito :)

De celeste mourão a 03.06.2016 às 10:15

gostei muito

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