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Transporte Sentimental



Quinta-feira, 03.10.13

«amamos o país mas queremos outro»

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Com o subtítulo de «Crónicas de um reacionário minhoto», este é o quarto título de António Sousa Homem (n. 1921) depois de «Os ricos andam tolos», «Os males da existência» e «Um promontório em Moledo». Livro dedicado a dois bibliotecários (Celina Lopes e Henrique Barreto Nunes) vem resgatar, do efémero profundo do jornal, as crónicas deste autor que não é (ver página 8) anterior ao Titanic (1912) mas sim posterior (1921) e afirma sobre si mesmo «eu não sou um autor» sublinhando a seguir - «nasci praticamente com trinta anos». O ponto de partida do livro é a geografia local («Caminha, Cerveira, Âncora, Moledo») num tempo em que o clima perdeu importância («deixámos de usar chapéu, abafos e fazendas»), a idade «é um assunto banal» e saber envelhecer é a «principal tarefa dos seres humanos com juízo». O autor não pensa na morte porque, mesmo na curva dos noventa, sublinha que «não costuma cismar». Mas acredita «na história, na vida em sociedade e na penicilina» ao contrário da Tia Benedita para quem «a imoralidade, o bolchevismo, a maçonaria e o adultério» eram consequência do pecado original. Mesmo em Moledo, o autor não se fecha ao Mundo. Pensa nos portugueses e avisa («ignoram a História, acreditam em auto estradas e telemóveis, desconfiam do pessimismo»), pensa em Espanha e explica «É a Espanha que garante a nossa existência real») e olha o Mundo quando recorda: «havia um mundo antes da democracia, da televisão a cores e dos romances escritos em conflito com a gramática». A Literatura está presente nas referências a Pedro Homem de Mello («o meu pai considerava-o um emblema de lágrimas de outrora») ou a Camilo Castelo Branco que nasceu em Lisboa mas era um homem do Minho: «Nós sabíamos que o retrato verdadeiro, o retrato cru, o retrato fidelíssimo da nossa amargura vinha nas páginas de Camilo, nas implicações de Camilo, no velho romantismo de Camilo. E, sobretudo, no humor trágico e de comédia risível do bruxo de Seide». Conclusão: mesmo prometendo não escrever as suas memórias, o autor não tem feito outra coisa como quando afirma: «Amamos o país mas queremos outro; temos pouca paciência e não sabemos esperar». (Editora: Bertrand, Prefácio: Pedro Mexia, Capa: Ana Monteiro) José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 12:04



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