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Transporte Sentimental



Terça-feira, 10.09.13

um trovador no miradouro de s.pedro de alcântara

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É uma voz cheia de apelos que atravessa a minha rua envolvida no seu timbre e no som da água. O mesmo é dizer – da água, nas suas partículas minúsculas às quais o sol ajuda a dar o peso do cristal. É uma voz pura, cheia, alta, sempre a soltar-se das cordas da viola que são como as linhas de um caderno escolar. É uma voz que vem de longe, traz no seu bornal de afectos as canções de Jacques Brel, o frio das cidades do Centro da Europa, os seus eléctricos pontuais e a sua neve teimosa nas ruas e nas palavras tristes do Inverno que, nessa altura do ano, todos nós trazemos no coração. Há na tessitura desta voz uma mistura do campo e da cidade. De um lado o vagar do lume no forno para o pão, do outro a pressa para o autocarro que se pode perder no negro do asfalto. De um lado a chuva como bênção na terra onde germinam as sementes, do outro lado uma água inoportuna que atrasa a vida de quem se desloca na cidade entre o trabalho imposto e o descanso insuficiente. No calor de Setembro, debruçada sobre o rio à direita, o castelo em frente e a cidade à esquerda, a voz de Manuel Gaspar irrompe do silêncio dos turistas em grupo e da sua maravilhada contemplação da paisagem deste miradouro. Não há nada igual na Europa, parecido é apenas Edimburgo na Escócia; mas lá é tudo mais pequeno. Aqui é tudo grande, alto e cheio como a voz de um trovador que faz da noite de Lisboa o seu lugar de ser diferente. É um jogral do século XXI porque entre as palavras e a música, sacode a pasmaceira do tempo que parece parado e feito de postais ilustrados. Aqui a sua voz de jogral do século XXI tem partículas de vida. Tal como a água da fonte que o sol ajuda a ganhar o peso do cristal. José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 15:48


1 comentário

De Manuel Gaspar a 11.09.2013 às 20:24

Só um poeta inspirado poderia escrever desta forma. Mas, meu caro amigo José Francisco, eu não mereço tantos louvores. Limito-me apenas a transmitir emoções, sentimentos que me vão na alma e que são reflexos de vivências de encontros e desencontros, de histórias vividas e de outras inacabadas. Obrigado por este magnífico texto, todo ele a exalar aromas de uma autêntica ode poética.

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