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Transporte Sentimental



Quarta-feira, 07.08.13

outras leituras de 2008 - domingos lobo

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«As lágrimas dos vivos» de Domingos Lobo
É entre o Amor e a Morte que nascem as lágrimas dos vivos. Mesmo que as origens das lágrimas se subdividam em Fascismo e Revolução, Eutanásia e Guerra Colonial, Sexo e Religião. Ou então a SIDA, a protagonista de uma narrativa deste livro («Começava a ver os amigos a desaparecer. Hoje um, amanhã outro. Um mapa de cruzes num calendário de cadáveres. Resistia ele, pensando que o não atingiria a peste, que lhe permaneceria imune.») cujo contraponto é o livro «A peste» de Albert Camus - «durante a peste de Marselha o bispo Belzunce encerrou-se na sua casa que mandou murar; os habitantes, zangados com ele cercaram-lhe a casa de cadáveres para o infectar e atiraram corpos por cima dos muros». A narrativa tem como outro contraponto a «Querelle de Brest» de Jean Genet e o seu universo povoado por «prostitutas velhas, assassinos, ladrões, crime, orgia, violência, sexo.» lado a lado com a narração da morte próxima: «Tinha as mãos suadas. Notava-se-lhe algum nervosismo enquanto procurava um bloco de notas, consultava os papéis. São os segundos testes. Eu sei, doutora. Já não há dúvidas. Não. Já não há dúvidas. Ia viver o resto dos seus dias numa escravatura mansa, condicionada por horários, comprimidos, análises. Sem futuro.» Ou como escreveu Camus em «A peste»: «Eu sofria da peste muito antes de conhecer esta cidade e esta epidemia. Isso significa que sou como toda a gente. Mas há pessoas que não o sabem ou que se encontram bem nesse estado e pessoas que o sabem e queriam sair dele.» (Editora: Nova Veja, Capa: José Manuel Reis) José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 23:32



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