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Transporte Sentimental



Quinta-feira, 28.03.13

outras leituras de 2008

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«Poemas de um livro rasgado» de Fernando Botto Semedo

Depois de «Transparências» em 2006 e «Poemas simples» em 2007, Fernando
Botto Semedo surge com este «Poemas de um livro rasgado». Uma vez mais a
busca da infância: «Poemas escritos por abismos sem fim / na minha alma,
através da luz das minhas / lágrimas, buscando a infância velha». Só que, a
juntar às lágrimas do poeta, existem as lágrimas de Deus: «Poemas do meu
desgastado rosto / poemas levantando voo pela minha infância / cheia de
lágrimas de Deus». Entre o precário da vida e o inevitável da morte, a
única resposta é o amor: «A primavera das palavras teria chegado / com o
teu rosto de uma inacessível beleza / ó vestal desconhecida que bailas sem
corpo / nos confins do meu sangue gasto.» Noutro poema se faz essa visita
ao passado («Na minha infância as palavras eram queimadas») para, logo a
seguir, um outro poema proclamar o amor: «Ó música que oiço cantando no
interior / de um sol íntimo da minha alma emparedada / ó rostos inclinados
para o fim – ó meu amor / para sempre alienado no tempo!» Perante um
mundo hostil («asfixiando o rosto de um Deus da patinagem artística / da
televisão por cabo, entre o ardor dos / anjos do vazio e as lágrimas de
todas as crianças») o paraíso perdido do poeta está na infância guardada em
molduras de prata: «Via as fotografias coloridas da sua infância /
espalhadas por molduras de prata líquida / na casa da alegria fictícia
– ó sangue / das lágrimas de uma primavera soterrada / num campo
infinito da arqueologia de Deus.»
(Capa: Fernando Botto Semedo, Impressão: Gráfica 2000)
José do Carmo Francisco
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por José do Carmo Francisco às 12:23



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