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Transporte Sentimental



Segunda-feira, 04.03.13

uma boa notícia não dá necessariamente uma boa história

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«Nos bastidores dos telejornais – RTP1, SIC e TVI» de Adelino Gomes
Adelino Gomes (n.1944) foi jornalista entre 1966 e 2008. Viveu sempre no
meio de «guerras»: Rádio Clube contra Emissora Nacional e Renascença,
Renascença contra Rádio Clube, Rádio Comercial contra Renascença e Antena
1, TSF contra todos, Público contra Diário de Notícias. O livro propõe uma
reflexão sobre o jornalismo em si, antes de, conforme o título, se debruçar
sobre os bastidores dos três telejornais portugueses. Começa pela posição
do jornalista entre ser funcionário de uma indústria que busca o lucro e
ser funcionário da Humanidade transmitindo (segundo José Luís Garcia)
«informações e formas de conhecimento consideradas relevantes para a
própria constituição da comunidade política e do todo social». A verdade e
a mentira convivem no jornalismo e na vida. Os governos de Camberra e de
Jacarta procuraram silenciar o assassínio em Balibó pelo exército indonésio
dos cinco repórteres australianos em 16-10-1975 mas os jornalistas do seu
país nunca desistiram de procurar a verdade. Adelino Gomes estava lá e
ouviu os tiros a dez quilómetros de distância. Outro caso: quando morreu
Walter Cronkite foi referido o facto de o presidente Johnson ter dito ao
seu secretário de imprensa esta frase «Se perdi Cronkite, perdi o País!»
depois de o jornalista falar da «negociação» como solução para o conflito
do Vietname. A verdade é que Johnson nem sequer ouviu a transmissão da CBS.
Último caso: no dia do lançamento deste livro passei perto do Coliseu dos
Recreios. Um prédio ostentava o emblema do Sport Lisboa e Benfica com a
bola e a roda da bicicleta (de 1908) mas por baixo uma indicação errada
(1904) tão errada que, o clube fornecedor da roda da bicicleta em 1908 na
fusão dos dois, só foi fundado em 1906.
O ponto de partida do articulado sobre os telejornais está enunciado: «Nos
anos de 2007 e 2008 vivi durante cerca de dez horas diárias, em três
períodos de uma semana, nas redacções de cada uma das três estações
generalistas de televisão em Portugal. Acrescentei que desejava observar,
mais do que interrogar, o processo de rotina que conduz à construção do
jornal televisivo das 20 horas. O livro é um desafio a quem gosta de
jornalismo ou se interessa pela História do seu país. Não por acaso o autor
se pronuncia sobre a diferença entre notícia e história: «Uma boa notícia
não dá necessariamente uma boa história em televisão. E uma boa história
nem sempre é uma grade notícia. Uma história com valor noticioso não faz
necessariamente boas audiências. Do mesmo modo que nem todas as histórias
que fazem boas audiências têm valor noticioso».
(Editora: Tinta-da-China)
José do Carmo Francisco
--

Autoria e outros dados (tags, etc)

por José do Carmo Francisco às 11:25


1 comentário

De celestinoxp a 04.03.2013 às 14:07

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