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Transporte Sentimental



Quinta-feira, 27.08.15

«antónio henriques» de luís alves milheiro e carlos guilherme sanches de almeida

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O subtítulo dá ideia concreta do âmbito do livro. De facto «O associativista e historiador de Almada e das suas colectividades» é o resumo da ligação de António Henriques (1915-1992) à Incrível Almadense (fundada em 1848) na qual foi de tudo um pouco: filarmónico, dirigente, actor, ponto, comissionista, dramaturgo, editor de Boletins, organizador de festas, colector de donativos – muitas foram as suas actividades dentro da Incrível Almadense. Foi também um infatigável colecionador de memórias, bateu a muitas portas, procurando objectos e recordações sobre as colectividades de Almada, em especial da Incrível Almadense mas não só. Ainda se encontram inéditos dois trabalhos seus: «a biografia do Maestro Leonel Duarte Ferreira e a História da Associação de Socorros Mútuos 1º de Dezembro; o primeiro de 1971 e o segundo de 1983». António Henriques aderiu em 1946 ao MUD com (entre outros) José Carlos Pinto Gonçalves, Henrique Barbeitos, Felizardo Artur, Mário Fernandes, Domingos Miguel, Firmino da Silva, José Alaíz, Romeu Correia, Raimundo José Moreira, Mário Augusto, Fernando Gil, Anselmo Baptista Lopes Júnior e José Baptista Oliveira. No ano de 1948, ano do centenário, esteve na origem da reconciliação da «sua» Incrível com a Academia Almadense, fundada em 1895 a partir de uma ruptura dentro da Incrível Almadense. Como afirmam os autores no início do livro «Muitas vezes as colectividades são apelidadas de «universidades do povo». Mas estas são quase sempre mais do que isso. São verdadeiras «escolas» de civismo e de companheirismo, graças ao seu sentido colectivo, sempre presente, onde tudo parece ser possível graças à força e à vontade dos homens. Isso explicará em parte o porquê de António Henriques ter sido músico, actor dirigente, coleccionador, poeta, publicista, historiador e tudo o mais que lhe pediram, no seio da sua Incrível Almadense.»

Ao longo das suas 184 páginas este livro mostra o retrato multifacetado de um associativista apaixonado que, da «sua» Incrível Almadense partiu para outras paixões (a Música, o Teatro, a História, a Escrita) mas sempre sem sair das fronteiras da Colectividade onde entrou com nove anos de idade para frequentar a Escola de Música. (Prefácio: Orlando Laranjeiro, Capa: Luís Eme, Revisão: Luís Bayó Veiga, Edição: Comissão Organizadora das Comemorações do Centenário de António Henriques) --

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por José do Carmo Francisco às 15:38

Quinta-feira, 27.08.15

«conversas com a tia valentina» de manuela nogueira

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Manuela Nogueira começou por publicar Conto em 1962 («O dedo indicador») e Romance em 1966 («O pintor louco do meu tempo») mas a Poesia e a Literatura Infanto-Juvenil bem como a tradução e a fixação de textos («Cartas de amor») integram o seu vasto leque de interesses enquanto autora e sobrinha de Fernando (Nogueira) Pessoa (1888-1935). Esta narrativa tem como protagonista Vera («Minha mãe morreu quando eu era muito pequena e meu pai foi viver para Angola») que se dirige à Tia Valentina («filha de pai israelita, viúva de médico de ascendência judia») e recebe da mesma uma advertência solene. Primeiro em termos metafísicos («não acendas a lenha porque ainda está húmida») e depois em termos objectivos: «o tempo que estamos a viver é o único que temos, não o podemos desperdiçar». A organização do texto contém uma dupla inscrição – pessoal e mundial. De um lado a família da Tia Valentina e, do outro, o Médio Oriente e os seus problemas: «dizem os judeus que Deus lhe deu aquela terra enquanto os palestinos atestam que há mais de 1.400 anos já era habitada por árabes». Vera espreita o que a Tia Valentina escreve num livro de capa preta («O amigo que já não tenho para conversar») a funcionar como uma espécie de Facebook manual: «o facebook misterioso da Tia Valentina». Entretanto surge no Médio Oriente uma esperança chamada «One Voice Movement»: «No grupo há setenta e dois casais israelo-palestinos. Como filha e viúva de judeus e tendo vivido num kibbutz nos anos cinquenta, posso dar alguns exemplos». A esperança é ténue no meio do conflito político como ténue é a vida de um bebé prestes a nascer numa família atravessada por crises como é o caso da família da Tia Valentina. Duas gralhas («xicana» por chicana na página 83 e «demais» por de mais na página 59) não alteram o fascínio de um livro sempre em dupla inscrição e com uma mensagem final de esperança: «Afinal, judeus e palestinos são primos direitos e podem entender-se». (Editora: DG Edições, Capa: Manuel França, Prefácio: Maria Estela Guedes) --

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por José do Carmo Francisco às 11:54


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