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Transporte Sentimental



Quinta-feira, 11.06.15

«viagens do fado» de jorge mangorrinha

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«Viagens do Fado» de Jorge Mangorrinha Autor em 2012 de um livro sobre Arquitectura e Urbanismo («O que é uma cidade termal?») Jorge Mangorrinha (n.1965) publica com este «Viagens do Fado» mais dois livros de poemas («Instantes de Cidades» e «Corpo e Natureza») com a particularidade de o conjunto incluir 49 poemas (14+21+14) - a idade do autor em 2014. Quatro destes 14 poemas já estão no Youtube cantados por Cristina Nóbrega, Ana Lains, Ana Paula Oliveira e Grupo Mare Nostrum. Cada poema é uma etapa na viagem. Começa no Norte («Eu canto o meu fado a norte / com a alma portuguesa / de uma ceia sobre a mesa / e num abraço mais forte / - Eu canto o meu fado a norte») continua em Coimbra («No centro do meu país / existe o rio Mondego / onde corre uma saudade / da serra para a cidade / da serra para a cidade / a que sempre me aconchego») e prossegue em Lisboa: «Corre o Tejo até Lisboa / desagua em Mar da Palha / e de Espanha traz histórias / e da fronteira memórias / dispostas nesta toalha». Segue-se o Alentejo («Campo de um sonho inaudito / de planura e céu imenso / onde o longe é infinito / e o perto se vê tão extenso»), o Algarve («Nesta viagem a sul / dou por mim em rodopio / entro num baile mandado / que alegra o meu fado / com um abraço algarvio») e os Açores: «Levo na minha viagem / os Açores na bagagem / e em teu olhar encantado / juntos por fim em Lisboa / nasce um poema que voa / p´las novas cores do fado». Prossegue o poema na Madeira («O meu fado é um jardim / neste oceano plantado / e com recorte bordado / de laurissilva e jasmim»), continua em África («Saudade é fado / que torna a cantar / na matriz meridiana / Saudade é morna / que adorna este mar /com a raiz africana») e alcança o Brasil: «Fado irmão é coração / viola, guitarra e voz / rede de milhões de nós / que o fazem universal». «Próxima viagem» fecha o livro sugere aventuras ao virar da esquina: «Na paleta de aguarelas / em que este mar é pintado / as antigas caravelas / são agora o nosso fado! / Em cada cais da cidade / na vida em que me aventuro / sou fadista em liberdade / e viagem – o futuro.» (Autor/Editor: Jorge Mangorrinha, Paginação/Impressão: Gráfica 99) --

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por José do Carmo Francisco às 18:59

Quinta-feira, 11.06.15

«a maldição de ondina» de antónio cabrita

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A maldição de Ondina que dá título ao livro, não é ficção: «Um golfinho só pode adormecer um dos lóbulos cerebrais, o outro está em vigília para lhe manter o automatismo das funções vitais, como a de assomar à superfície de cinco em cinco minutos para respirar.» É nessa maldição como metáfora do seu Mundo que repara Raul (polícia), amigo de César (escritor) desde o quinto ano do liceu: «Olha o desenho que as balas fazem. É a constelação do golfinho.» Dito de outra maneira - embora nesta história se cruzem três linhas (o amor, a literatura e a acção), de comum a estes três eixos narrativos existe o pano de fundo dum território (África) onde não se pode dormir: «O anel mágico torna as pessoas felizes e generosas durante algum tempo até que se dão conta de que não conseguem passar a vida a só desejar o bem, que mais vezes do que gostariam desejam o mal de terceiros.» Por isso em África tudo é diferente, pensa Raúl: «É o que mais lhe custa desde a guerra, ver como a doença e o crime não deixaram de engrossar o exército de órfãos em que o país se tornou.» Além da história policial (César e Raul) e da história de amor (Argentina e Beatriz), a narrativa introduz outras figuras (Aurora, Filipa) e resgata da tela uma actriz (Rita Hayworth) que salta da ficção para a Ilha de Moçambique. Mas também existe a reflexão de Beatriz: «Acreditei durante muito tempo que a literatura era uma coisa e a sociedade outra. A literatura é uma coisa benigna e fechava os olhos ao resto. Hoje já não consigo separar os livros das suas condições de produção.» E Beatriz conclui: «Estás a ver a grandeza moral dum fedelho de 17 anos com a quinta classe a quem a vida só pisou, que é comida e cuspida por um safado com o dobro da idade e que tira as consequências morais dos seus actos… Senti-me uma charlatã: interessava-me mais um novo livro de Mia Couto do que conhecer o inferno que ele resgatava…» Percebe-se no fim destas 233 páginas que a vida em África é difícil, complicada e problemática, há por aqui um assassino que deixa no bolso das vítimas uma frase de Albert Camus, uma mulher com a mão feita em sal, os feitiços e os espíritos (gente invisível) tudo fazem para que não haja descanso na vida dos atónitos espectadores da narrativa. Como atónita está a viúva da página 19 a ouvir os cunhados partirem a mobília da sua casa porque «Curandeiro disse que tem muito dinheiro em casa do mano…» (Editora: Abysmo, Ilustrações: João Maio Pinto, Posfácio: Nazir Can, Revisão: Raul Henriques) --

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por José do Carmo Francisco às 11:43


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