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Transporte Sentimental



Terça-feira, 02.06.15

«a palavra mágica e outros contos» de rui zink

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Ficcionista, ensaísta, dramaturgo e tradutor, Rui Zink (n.1961) inicia este seu livro de 13 contos com o poema de Carlos Drummond de Andrade «A palavra mágica», provando assim que toda a literatura é uma homenagem à literatura. Um dos contos tem a forma de poema mas é uma reflexão sobre a poesia no Mundo. Começa pelo convite («Entrem, entrem, não façam cerimónia»), prossegue com a definição («Um poema não é uma narrativa (…) um poema será uma casa mas não é um labirinto») e conclui : «É que o poema pode muito bem passar sem o mundo. Mas já imaginaram o que seria o mundo sem o poema?» Admirador da escrita de Dinis Machado, Rui Zink faz oscilar o seu registo entre o cómico e o trágico, à maneira do autor de «O que diz Molero» que, até nos funerais, procurava sempre o lado cómico de tudo aquilo. Num país de analfabetos Rui Zink vê assim «o bicho da escrita»: «Todos os meus amigos escrevem. As outras pessoas também. Os meus vizinhos escrevem – poemas. O senhor que entregava as cartas agora também escreve – livros de viagens, acho. A empregada do café escreve romances policiais, o funcionário do banco escreve novelas de amor, o dono da mercearia escreve – romances históricos. A minha mãe escreve ficção científica, os meus irmãos escrevem banda desenhada». Num Mundo em chamas, este autor vislumbra a ironia em «Não me falem de A.»: «Toda a gente fala de A. O que eu peço é que não me venham falar mais de A. nem dos que estiveram em A. (…) Olhem para eles agora. Ponham os olhos no Médio Oriente. Não vêm do que eles são capazes de fazer a inocentes quando estão por cima?» Eis uma ironia sobre a idade dos escritores: «Um escritor tinha de ter para cima de cinquenta anos se queria alguma credibilidade. Agora eram outros tempos. Antigamente ninguém respeitava um escritor novo. Agora ninguém queria para nada um escritor velho.» A narrativa que dá título ao volume de 135 páginas é uma viagem num tempo («1969») e num lugar («A Pena») que era «uma espécie de Alfama de segunda» e onde rapazes da zona paupérrima da Mouraria subiam encosta acima em expedições diárias». Durante um jogo de futebol de rua no Largo do Convento, perante uma canelada do adversário, aconteceu: «Eh, o Zinco disse uma asneira!». O mesmo é dizer uma palavra mágica. E viva, tantos anos depois. (Editora: Dom Quixote, Capa: Henrique Cayatte/Rita Múrias, Desenhos: Cristina Sampaio, Revisão: Manuela Gomes da Silva) --

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por José do Carmo Francisco às 21:29


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