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Segunda-feira, 20.04.15

«tendências dominantes da poesia portuguesa da década de 50» - fernando j.b. martinho

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Fernando J.B. Martinho (n.1938) além de professor (Bristol, Santa Barbara, Lisboa), crítico e ensaísta especializado em Poesia Portuguesa Contemporânea («Orpheu», «Presença», Pessoa, Sá-Carneiro) é também autor de dois livros de poemas: «Resposta a Rorschach» e «Razão Sombria». Tal significa que, além de conhecer a História, o autor conhece também o Ofício. Esta é uma década de Revistas de Poesia como, por exemplo, Árvore, Pirâmide, Cassiopeia, Cadernos do meio-dia, Graal, Távola redonda, A serpente, Sibila, Notícias do Bloqueio, Tempo presente e Eros. Os anos 50 são o tempo da guerra fria com a ditadura de Salazar a sentir uma certa estabilidade («Está tudo bem assim e não podia ser de outra forma!») depois da entrada do país na OTAN (1949) e na ONU (1955) sendo o conformismo geral abalado em 1958 pela candidatura presidencial do general Humberto Delgado. Afirma o autor: «Quanto à atmosfera mental da década, pode dizer-se que o cepticismo perante as utopias, o pessimismo, por um lado, e a acentuação da singularidade, da individualidade, frequentemente derivando para as formas extremas de solipsismo, por outro, é que lhe dão o tom. De certo modo, a geração que assiste aos alvores da era atómica, experimentando ao mesmo tempo «visões apocalípticas do final da civilização» antecipa, pela desconfiança que começam a merecer-lhe as ideologias e as grandes utopias e pelo refúgio no individual, ou mesmo por uma ou outra afloração do mais virulento niilismo, a agonia da modernidade e a entrada na cultura pós-moderna.» Conclusão, precária embora: os anos 50 são mais que uma década, uma geração e um grupo, são mais que dois percursos paralelos (surrealismo/neo-realismo), os anos 50 são todo um tempo poético onde cabe o medo («O medo vai ter tudo») mas também o amor («Tu não mereces esta cidade») de Alexandre O´Neill ao lado do amor de António Ramos Rosa: «Não posso adiar o amor para outro século / Não posso adiar o coração»). Fernando J.B. Martinho adverte: «A grande diferença entre a «poesia de protesto, de revolta» da geração de Ramos Rosa e a poesia de protesto neo-realista é que o que naquela está em causa são sobretudo os reflexos dos «condicionalismos sociopolíticos» da consciência individual. De resto, na linguagem da época, a «revolta» em oposição à revolução, assume um carácter marcadamente individual». Apenas duas citações deste livro fascinante. Fernando Lemos afirma: «Os Poetas escrevem da esquerda para a direita. Quando os Outros lêem da direita para a esquerda, não entendem o que o Poeta lhes diz». Natália Correia conclui: «Dão-nos marujos de papelão / Com carimbo no passaporte/ Por isso a nossa dimensão / Não é a vida. Nem é a morte». (Editora: Colibri, Capa: pormenor de um desenho de Cruzeiro Seixas) --

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por José do Carmo Francisco às 22:10


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