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Transporte Sentimental



Sexta-feira, 21.11.14

um exemplo que vem de rhode island mas não chega ao porto

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O texto com o título acima foi publicado há dias neste Blog mas a imagem da ficha técnica saiu desfocada e espero que desta vez saia bem no «scanner». O ponto de partida é o livro «Minima Azorica – O meu mundo é deste reino» de Onésimo Teotónio Almeida. Nas suas páginas, ao falar sobre a Poesia de Pedro da Silveira, o ensaísta refere a data de publicação, o local e a editora de um dos livros do poeta florentino - «Poemas ausentes». Pelo contrário no final do livro «A paixão do Povo» (Editora Afrontamento) os seus autores (que são dois jovens) referem na bibliografia o livro «Glória e vida de três gigantes» mas atribuindo a autoria apenas a Homero Serpa e a António Simões, fingindo que o meu nome e o meu trabalho não estão lá. Não se trata de um problema pessoal mas sim de uma questão de rigor. Desde 1978 que eu vejo o meu nome nos jornais todas as semanas e houve até um tempo em que escrevi em dois jornais ao mesmo tempo (O MIRANTE e SPORTING) entre os anos de 1997 e 2001 o que significa uma duplicação de nome impresso. Um indivíduo não se pode proclamar ensaísta ou investigador e, ao passar da dissertação ao papel impresso, esquecer as obrigações que tem para quem, antes dele, escreveu sobre o tema em livro divulgado e por si consultado. No caso em apreço o título é bem claro «Glória e vida de três gigantes» pressupõe três autores, um para cada gigante. Neste caso são três gigantes do futebol português. De qualquer modo nem tudo está mal nesse livro maldito onde o meu nome foi escorraçado – dois senhores do futebol português Toni e Humberto Coelho reconheceram o meu trabalho -a antologia «O Desporto na Poesia Portuguesa», o livro de contos «Os guarda-redes morrem ao Domingo» e tudo o que escrevi em A BOLA e no RECORD entre 1979 e 2006. Há males que produzem bons resultados. --

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por José do Carmo Francisco às 13:42

Sexta-feira, 21.11.14

«os armários da noite» de alice vieira

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Alice Vieira (n.1943) é reconhecida desde 1979 como autora de literatura infanto-juvenil mas este é um livro diferente no seu caminho de escrita. Esta poesia (o seu discurso) em nada tem a ver com o trabalho de ficção para crianças e jovens. Pode dizer-se que estes 34 poemas são uma poesia de circunstância. Sem dúvida, mas afinal toda a poesia nasce de uma circunstância. E oscila sempre entre a canção e a reflexão. Como o poema «Ericeira», escrito na sombra de duas figuras – José Hermano Saraiva e José Cardoso Pires. Vejamos um excerto: «sabíamos as horas pelo uivo do farol e /havia um amigo que nos dizia que / aquela praia não tinha banhistas mas / apenas devotos e outro / encharcava-se em whisky e escrevia / romances de anjos que às vezes / vinham de avião e caíam nas rochas / para nos salvar» Ou o poema inicial do livro sobre as palavras, seu destino e sua força: «e depois as palavras / morrem à toa / sem flores sem cânticos / sem missa do sétimo dia / e ninguém sabe para que serviram / se mataram quem não deviam / ou se ficaram entre / os intervalos do sono» Ou também o poema do amor perdido: «esperar que voltes é tão inútil como o /sorriso escancarado dos mortos na / necrologia dos jornais / e no entanto de cada vez que / a noite se rasga em barulhos no elevador e / um telefone se debruça de um sexto andar / sinto que ainda aficou uma palavra minha / esquecida na tua boca / e que vais voltar /para/a /devolver» Na viagem da vida («aprendi nas pequenas gares de província / a esperar comboios que não chegavam nunca») o passado vem de uma rejeição («não a quero») que o poema não esquece («todos aqueles que um dia decidiram / entregar-me ao vento cruel das / madrugadas de março») mas há nele uma janela para o futuro: «Mercúrio acompanha a / entrada do ano / indiferente / diurno e / masculino / por isso não se perca tempo com quem / não merece» (Editora: Caminho, Capa: Heduardo Kiesse) --

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por José do Carmo Francisco às 09:57


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