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Transporte Sentimental



Sábado, 05.07.14

afonso praça e o fim de «doutores» e «engenheiros»

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Como colaborador do «Diário Popular» desde 1978 conheci Afonso Praça (1939-2001) em «O Jornal» por estar perto de Fernando Assis Pacheco. Falámos muitas vezes sempre que me deslocava à sua redacção. Julgo até que o uso de um certo português «calão» por parte do Fernando Assis Pacheco no livro «Walt» deve muito à proximidade física da secretária do seu autor com o paciente e sábio autor do «Novo Dicionário do Calão» (Edição Casa das Letras). Hoje vi nos jornais que em Torre de Moncorvo a Assembleia Municipal resolveu abolir entre os seus elementos o tratamento de «doutor» e «engenheiro», vi nos jornais e pensei logo que o Afonso deve estar feliz porque nunca foi de títulos nem de salamaleques. Umadas suas paixões na Literatura Portuguesa foi Raúl Brandão – o que só abona a seu favor porque um dia o autor de «Húmus» revelou ter ouvido num pátio de anarquistas na Lisboa dos anos 20 esta frase terrível «Se quer ser escritor, escreva sobre os pobres!». Ora o chamado «calão» é uma espécie de refúgio dos pobres, dos deserdados da sorte, dos malteses de pouca roupa, dos periféricos da vida, dos suburbanos. Uma espécie de linguajar das tias de Cascais mas ao contrário; não um sinal de superioridade nos patamares da vida mas de assumida inferioridade social que vê no uso do calão não um desvio perigoso mas um atalho útil para irmanar com outros companheiros uma certa «marginalidade». Esta notícia de Moncorvo trouxe-me à lembrança o Tiago, o filho do Afonso que é a sua cara chapada. Trata-se de um artista da cerâmica que insiste em se definir como «oleiro». Talvez tenha razão na sua excessiva humildade: afinal os poetas e os homens como o seu pai são apenas oleiros das sílabas e dos ditongos, das imagens e das figuras de estilo. Sem esquecer o sangue pisado, pois claro… --

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por José do Carmo Francisco às 13:17

Sábado, 05.07.14

leituras de 2009 - «onde há vida, há esperança» de vasco pinto magalhães

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Vasco Pinto de Magalhães (n. 1941) foi um conhecido jogador de rugby, tornou-se sacerdote em 1974 e é hoje especialista em Bioética. Através de 366 entradas, o autor (licenciado em Filosofia e em Teologia) organiza uma leitura do nosso tempo. De um lado a dor («Uma das grande fontes de sofrimento é a nossa falta de solidariedade, num mundo em que não recolhemos o homem caído à beira da estrada») do outro lado a alegria: «Às vezes até arrepia estar a falar de alegria a uma pessoa que está a sofrer e que nessa altura não vê nada, sente tudo escuro e negro à sua roda». Como única resposta e caminho surge a esperança («O maior roubo que se pode fazer a alguém é tirar-lhe a esperança») e a paz: «Para caminhar para paz há três meios fundamentais: ouvir as dores do mundo, tornarmo-nos sensíveis a esses gritos dos marginalizados e dos excluídos e ouvi-los mais do que os outros gritos que temos dentro de nós, de desejo, de prestígio e de honra, sem dúvida mais sedutores». Para o autor a felicidade («Feliz vem de felix que quer dizer fecundo, produtivo.») passa pelo perdão («Perdão não é desculpa nem esquecimento») ou pela misericórdia: «Misericórdia significa um coração sensível, um coração atento à miséria, à necessidade, ao pobre». No fim (e lembrando o rugby) o autor fala em poder de encaixe: «Nas famílias e nas escolas devia haver ensino prático de poder de encaixe, isto é, de se tornar capaz de, no insulto como na bolada no estômago, a seu tempo e a seu modo, voltar ao ponto de partida, mais sábio e consciente.» (Editora: Tenacitas, Prefácio e contracapa: Nuno Tovar de Lemos, Capa: do autor) --

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por José do Carmo Francisco às 11:01


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