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Transporte Sentimental



Quinta-feira, 31.07.14

leituras de 2011 - «vida e obra de luís de camões»

«Vida e Obras de Luís de Camões» de Wilhelm Storck Wilhelm Storck (1829-1905) foi professor na Universidade de Munster e correspondeu-se com Antero de Quental, cujos poemas traduziu. Desde cedo se interessou também pela poesia e pela vida de Camões. Este volume de 635 páginas é o resultado desse interesse, não só pelo poeta mas também pelo povo do seu país: «Um povo enérgico, inteligente e de índole cavaleirosa, vivendo num país riquíssimo em belezas naturais, debaixo de um firmamento sereno, à beira do Oceano, nas margens férteis de riso caudalosos, susceptível de intensas alegrias e profundas tristezas, magnânimo e altruísta em perigos e desgraças, cruel e cobiçoso em guerras e inimizades, nervoso e exaltado na luta, em vitórias e batalhas cruentas, doido por música, canto e dança e, por natural predisposição, inclinado à paixão amorosa, a saudades melancólicas e um sentimentalismo um tanto mórbido, não podia deixar de manifestar muito cedo em rimas sonoras e em graciosas melodias, as sensações produzidas por feitos da história pátria e aventuras individuais». O autor aborda a vida de Camões a partir de respostas a perguntas: «Sabemos que o poeta partira pobre para Goa e que voltou mais pobre ainda. Onde encontraria um asilo? Como ganhar o pão de cada dia? A quem dirigir-se, na firme confiança de encontrar auxílio e socorro? A madrasta já residiria então no bairro da Mouraria? Ou entraria ela mais tarde na capital, depois de vendidos os seus bens em Coimbra, a fim de passar os últimos anos junto do filho repatriado? Quem vivia ainda da família dos Condes de Linhares? Onde parava o autor do Palmeirim, Francisco de Moraes? Que era feito de D. Francisca de Aragão?» (Editora: Bonecos Rebeldes, Tradução e Notas: Carolina Michaelis de Vasconcelos, Capa: Francisco Metrass) --

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por José do Carmo Francisco às 15:30

Quarta-feira, 30.07.14

lisboa convida - lá porque é grátis não pode ter tantos erros

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Fui comprar vinho numa casa especializada da Baixa e ofereceram-me uma revista cuja capa aqui reproduzo. Na página 46 surge uma referência à Livraria do Simão mas indica um número de telemóvel que não é o do Simão. De facto o número correcto é o que acabei de utilizar para o avisar, trata-se do 961031304. Um outro aspecto tem a ver com uma informação errada sobre a Estação de Correios da Patriarcal. A estação já fechou de facto há mais de um ano mas aparece na página 159 como situada no Páteo do Tijolo 61 A/B tal como aparece no mapa da cidade publicado na página 125. Outro problema surge na página 34 cujas referências (horários, contactos, moradas) não se podem ler do lado direito da página pois ela está muito «puxada» para a direita. O mesmo se passa com as páginas 36, 38 e 40 enquanto algo de parecido se passa com as páginas 37 e 39, 41 e 43 pois a deslocação da mancha gráfica não permite ver as imagens na totalidade. As páginas 44 e 46 não se podem ler algumas das palavras porque as suas respectivas primeiras letras foram «comidas» com a deslocação excessiva para a esquerda. Na página 44 falta o «t» a tendências enquanto na página 46 falta o «S» a se, o «L» a Livraria e o «s» a são. A própria página «46» aparece-nos como página «6» porque o pobre «4» foi comido na deslocação da mancha gráfica. Na página 47 a palavra «soalheira» aparece substituída por «solarenga» talvez porque a redactora de serviço lhe encontre mais piada. Talvez. Fiquemos por aqui. Não é por um produto ser oferecido que se pode descuidar a sua apresentação gráfica e a sua legibilidade. A ideia é positiva mas a concretização peca por ser muito infeliz. Não existe o conceito de «arte final» nesta revista e isso é muito mau. --

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por José do Carmo Francisco às 18:34

Terça-feira, 29.07.14

para francisco josé viegas - breve dissertação sobre comboios

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Para Francisco José Viegas – breve dissertação sobre comboios Uma parte importante da minha vida ficou na Linha do Oeste. A alma também. Se por alma eu entender aquele núcleo invisível de esperanças e ilusões, sonhos e pesadelos, projectos e decepções. Tudo isso ficou entre Lisboa e Caldas da Rainha, algures entre a automotora das 5 e 20 da tarde no Rossio que chegava às Caldas às 7 e 20 e a automotora das 10 da noite nas Caldas, aquela que chegava a Lisboa por volta da meia- noite e meia hora. Na Linha do Oeste eu fui a criança atónita que vinha do Montijo a partir de 1958, fui o instruendo temeroso de 1972, fui o recém-casado em lua-de-mel de 1977, fui o jornalista a caminho da Figueira da Foz em 1997 com a comitiva Ginástica do Sporting. Tudo começou no Rossio mas depois de 1997 já era preciso apanhar o comboio no Cacém; agora é em Meleças e qualquer dia acaba. Fica «descontinuado» como eles dizem. Passa a haver só carga. Olho uma fotografia que por acaso nada tem a ver com a Linha do Oeste mas tem a ver com comboios e a sua memória. Sei que o tempo é outro e a velocidade também. Há poucos anos viajava-se de transatlântico em navio de luxo e hoje toda a gente usa o avião. Apesar dos acidentes, andar de avião é menos perigoso que frequentar o IC 19. O comboio terá perdido a corrida com o transporte rodoviário. No tempo do comboio da Linha do Oeste as estradas eram de maquedame, havia pó no Verão e lama branca no Inverno. As estradas tinham curvas e contracurvas devido às instrucções do ditador Salazar que exigia da Junta Autónoma das Estradas a utilização das serventias antigas das carroças e dos carros de bois porque assim era tudo mais barato. O que servia para a vindima servia, mais tarde, para a estrada nacional e sem dispêndio para a Fazenda Nacional. --

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por José do Carmo Francisco às 19:42

Terça-feira, 29.07.14

armando silva carvalho - assim é que está bem...

«Anthero Areia & Água» de Armando Silva Carvalho Armando Silva Carvalho (n.1938, Olho Marinho) revisita o tempo e a vida de Antero de Quental a partir dum seu poema publicado na Revista Colóquio-Letras nº 173 e da leitura das Cartas de Antero na edição de Ana Maria Almeida Martins. Para além de João de Deus, Herculano, Bulhão Pato, Cesário Verde ou Raul Brandão, para além de Proudhon, Hegel, Tolstoi ou George Sand, que povoam o tempo de Antero, há nesta homenagem poética uma aproximação feliz. Toda a literatura é uma homenagem à literatura e, por isso, Armando Silva Carvalho escreve no registo de Antero: «Secretário da alma, o coração / Não descansa na laje da morada em que sossega. / Estremece nos seus sonhos / E volve em seu redor o olhar desmesurado: / É dia de além sol, além lua, além distância / Rasgadas as palavras de abandono / E luta. Mas a Terra é a escrita / E o livro o Universo». Num certo sentido é o século XXI que responde ao século XIX: «Há coisas que normalmente não vemos: os obituários. / Cheira a fim de regime e só os loucos ou extremistas / Acham que tal coisa é uma boa perspectiva / Escreve hoje na gazeta um jornalista famoso. / Ninguém recorre aos mortos que acabam de morrer / Para uma visão do mundo e do futuro». Apetece responder: só a Poesia sabe fazer esse intervalo entre dois mundos separados: «Cento e dezoito anos não são tempo / Que faça arrefecer um corpo / Escrito. / Podem ser apenas uma noite, um sonho alucinante / Ou um dia inteiro, de natureza desperta / Um fruto, uma folha, uma raiz». (Editora: Assírio & Alvim, Capa: Mário Cesariny) --

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por José do Carmo Francisco às 12:43

Terça-feira, 29.07.14

leituras de 2009 - «cacilhas» de luís alves milheiro

«Anthero Areia & Água» de Armando Silva Carvalho Armando Silva Carvalho (n.1938, Olho Marinho) revisita o tempo e a vida de Antero de Quental a partir dum seu poema publicado na Revista Colóquio-Letras nº 173 e da leitura das Cartas de Antero na edição de Ana Maria Almeida Martins. Para além de João de Deus, Herculano, Bulhão Pato, Cesário Verde ou Raul Brandão, para além de Proudhon, Hegel, Tolstoi ou George Sand, que povoam o tempo de Antero, há nesta homenagem poética uma aproximação feliz. Toda a literatura é uma homenagem à literatura e, por isso, Armando Silva Carvalho escreve no registo de Antero: «Secretário da alma, o coração / Não descansa na laje da morada em que sossega. / Estremece nos seus sonhos / E volve em seu redor o olhar desmesurado: / É dia de além sol, além lua, além distância / Rasgadas as palavras de abandono / E luta. Mas a Terra é a escrita / E o livro o Universo». Num certo sentido é o século XXI que responde ao século XIX: «Há coisas que normalmente não vemos: os obituários. / Cheira a fim de regime e só os loucos ou extremistas / Acham que tal coisa é uma boa perspectiva / Escreve hoje na gazeta um jornalista famoso. / Ninguém recorre aos mortos que acabam de morrer / Para uma visão do mundo e do futuro». Apetece responder: só a Poesia sabe fazer esse intervalo entre dois mundos separados: «Cento e dezoito anos não são tempo / Que faça arrefecer um corpo / Escrito. / Podem ser apenas uma noite, um sonho alucinante / Ou um dia inteiro, de natureza desperta / Um fruto, uma folha, uma raiz». (Editora: Assírio & Alvim, Capa: Mário Cesariny) --

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por José do Carmo Francisco às 12:41

Segunda-feira, 28.07.14

fernando venâncio - terceira carta aberta

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Este fim-de-semana dormi numa casa muito simpática onde, a exemplo dos tão britânicos apartamentos «B&B», existe no quarto de dormir uma pequena biblioteca para viajantes. Chamou-me a tenção o livro «O clube dos anjos» de Luís Fernando Veríssimo mas não passei da página 15. Não sei (nem interessa muito) se foi por ignorância ou má-fé mas percebe-se que os fotolitos devem ter vindo do Brasil e a matéria foi publicada tal e qual. Por exemplo a palavra «agüentasse» vem com o trema em vez de «aguentasse» e SIDA surge como «Aids» mas com caixa baixa nas três iniciais seguintes à letra «A». Ora os brasileiros não usam SIDA como nós por causa da abreviatura de «Nossa Senhora Aparecida» e poderia soar como sacrilégio ligar a mãe de Deus a uma doença muito grave. Dai terem optado pelo inglês «Acquired Immuno Deficiency Syndrome» ou AIDS em sigla mas na página 15 do livro aparece «Aids» em vez de «AIDS». Talvez a ideia central seja essa («Para quem é bacalhau basta») e assim sai mais barato mas devia haver algo como uma «arte final que é olhar com olhos de ver o livro antes de ele ir para a gráfica. O leitor deveria merecer algum respeito mas somos poucos e pouco valemos no concerto geral das nações. A minha ideia é apenas referir um facto e, sem queixume ou lamentação, trazer ao conhecimento do nosso estimado professor de Amsterdão e português de lei, esta novidade que me surgiu no fim-de-semana lá pela página 15 dum livro do escritor brasileiro Luís Fernando Veríssimo. Pois talvez seja isso – pouco valemos porque somos muito poucos e para quem é bacalhau basta. --

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por José do Carmo Francisco às 08:24

Sábado, 26.07.14

leituras de 2009 - «cacilhas» de luís alves milheiro

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A História não se esgota na posteridade dos poderosos – reis, príncipes, guerreiros e navegadores. Os oprimidos e anónimos, muitas vezes sem acesso à escrita, também são História e merecem que os livros os não esqueçam. No bairro da cidade, na vila ou na aldeia, o pulsar da vida justifica a atenção do historiador. Depois de «Cacilhas – A gastronomia, a pesca e as tradições locais» com Fernando Barão, Luís Alves Milheiro regressa ao tema Cacilhas com um livro a focar o comércio, a indústria, o turismo e o desenvolvimento socio-cultural e político desta localidade ribeirinha. Cacilhas despertou nos séculos XIX e XX o interesse de famílias estrangeiras que aqui criaram empresas: os Buknall, os Shultz, os Armstrong, os Sygmington e os Ferguson na indústria corticeira; os Parry e os Oakley na construção naval e os Black na indústria de fiação e no negócio do carvão. Entretanto já desde 1797 funcionavam em Cacilhas os grandes armazéns de vinho de Bento José Pereira Júnior. Essa actividade de armazenagem e venda de vinho, azeite, vinagre, cortiça e conservas de peixe surge no s livros «Os Tanoeiros» e «Cais do Ginjal» de Romeu Correia e nos quadros de José Malhoa, Manuel Henrique Pinto, António Ramalho, Alfredo Keil e João Vaz ou, ainda, num poema de José Carlos Ary dos Santos sobre os cacilheiros: «Leva namorados, marujos / soldados e trabalhadores / E parte dum cais / que cheira a jornais / morangos e flores / Regressa contente / levou muita gente / e nunca se cansa / Parece um barquinho / lançado no Tejo / por uma criança.» Dito de doutra maneira: os anónimos e periféricos em relação ao poder também podem ser – e são – história. (Edição: Junta de Freguesia de Cacilhas, Apoio: Sociedade Cultural de Artes e Letras de Almada, Capa: Alfredo Keil, Foto: Elsa Carvalho, Prefácio: Diamantino Lourenço) --

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por José do Carmo Francisco às 10:55

Sexta-feira, 25.07.14

leituras de 2009 - «a casa e as sombras» de joaquim do nascimento

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Este é um título feliz para o conjunto de 18 crónicas sobre uma aldeia do Alto Douro (Pereiros) e os seus quotidianos entre 1930 e 1980. A casa pressupõe sinais de vida; as sombras são sinais de morte. Entre a vida e a morte, estas crónicas são povoadas por pessoas e pelas suas memórias. Ou seja: «As casas fizeram-se para serem habitadas. Mas não chegaram a cumprir o seu destino, mudada que foi a sina de quem lá iria viver e, desabitadas, começaram a sofrer de frio, a criar fantasmas, a revelar segredos antigos. E o povo começou a olhá-las de lado.» O autor domina a geografia do espaço («Esta rua, sem deixar de ser a mesma, toma várias designações ao longo da sua extensão: Fonte da Ladeia, Rua de Cima, Cômbaro, Fundo do Povo, Rua de Baixo, Acácias») mas também a dos afectos a partir dum retrato a enviar para Angola: «Vê lá tu António estão lindas as nossas filhas, olha como cresceram e se fizeram mulheres. Que mal te fizemos nós, António?» A partir de uma foto de estudantes surge outra memória: «Sinto um terno prazer em revisitar cada um de vós, nome, rosto, voz, a circunstância, a terra, já soube de cor a terra de cada um de vós, nesse tempo era mais natural perguntar a alguém donde és do que perguntar quem és porque o lugar onde se nascia era um elemento importante da identidade». Entre a casa e as sombras fica o registo das tarefas agrícolas («Vindimas pobres, sem rogador, nem rancho, nem concertina, nem ferrinhos, nem bombo») dos artistas de ofício («carpinteiro, pedreiro, sapateiro, modista, alfaiate, tecedeira, ferrador, barbeiro») e das viagens: «Da Meda para o Pinhão era jornada de meio-dia. Antes do Vilarouco fica os Pereiros, aqui entrava pouca gente e saía ainda menos, mas quem quisesse ir dos Pereiros a Penedono ao mercado quinzenal subia a pé o Monte Airoso que começa nas margens do rio Torto, Póvoa, Bebezes, Granja, Santa Eufémia, o castelo sempre à frente, para descer à tardinha. A Fernanda sabe.» (Editora: Padrões Culturais, Apoio: Associação Amigos de Pereiros, Capa: Mário Andrade) --

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por José do Carmo Francisco às 19:32

Quinta-feira, 24.07.14

dissertação breve sobre três quadros de cesare novi

Autunno sul fiume - 40x50 MSM.jpg

Paesaggio provenzale 18x24 MSM.jpg

Paesaggio maremmano 20x30 MSM.jpg


No quadro do canal azul um par de namorados sonha o amor e o futuro enquanto os dois pescadores, um de cada lado da água quase parada, organizam a esperança do presente. Na pequena motocicleta há um feliz usufruto da velocidade, alguém com muita pressa se dirige às casas da aldeia. O Outono, estação das últimas semanas, encheu de prosperidade os celeiros, as adegas e os palheiros das casas do perímetro das quintas do outro lado. Cesare Novi assina, olha e sorri perante o sossego do seu mundo rural ao fim da tarde. Perto do mar, neste quadro é uma aldeia que se debruça sobre o azul do mar no contraste do branco das paredes e do vermelho vivo dos telhados. Dois cedros de cada lado (talvez dois ciprestes?) fazem do corpo das casas da aldeia uma terra de harmonia onde não chega nenhuma viatura pela tão antiga estrada branca de maquedame. Cesare Novi regista a sua pintura em forma de crónica. Uma crónica entre as cores da terra e a luz do mar. Na paisagem povoada apenas um pescador espera alguma coisa da sua sorte no rio, junto ao pequeno barco na margem feita de relva. Pode ser, em vez de rio, um canal controlado por uma comporta metálica a quinhentos metros de distância. Entre o rio (ou canal) e as casas da quinta, sete ao todo, ficam os campos de alfazema. Conto as casas como tal mas algumas, mais pequenas, serão apenas os cómodos, as arrumações e os palheiros. As árvores surgem como inesperados pontos de exclamação: são onze ao todo, duas na frente e nove no fim do quadro. Porque se trata afinal de um quadro, um quadro de Cesare Novi, uma realidade aqui apenas e só representada. Não reproduzida porque não se trata de uma fotografia. --

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por José do Carmo Francisco às 10:19

Quarta-feira, 23.07.14

«história das organizações femininas do estado novo» de irene flunser pimentel

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Os ideólogos do Estado Novo fizeram os possíveis por colocar as raparigas nas Escolas Técnicas de onde sairiam como assistentes sociais, professoras, parteiras e enfermeiras. A Obra das Mães pela Educação Nacional (OMEN) de 1936 e a Mocidade Portuguesa Feminina (MPF) de 1937 são estudadas neste volume de 456 páginas. Apenas três breves notas. Em 1938 a delegada de Braga da OMEN reclamava contra «a crueldade de certos capitalistas que rebaixa de forma aviltante o salário em favor dos seus lucros». Em 1941 o Boletim da MPF definia a rapariga ideal no texto «O que nós queremos que as raparigas sejam» nos seguintes termos: «verdadeiras, amáveis, sãs, novas, elegantes, activas, contemplativas e boas» enquanto a revista Menina e Moça alinhava as qualidades a possuir («simplicidade, elegância, boa educação e cultura») e os defeitos a evitar: «má-língua, vaidade, desleixo, cólera, curiosidade, tagarelice, indolência e arrogância». A Menina e Moça, muito preocupada com a moral, publicava em 1958 uma curiosa «Carta a uma rapariga» dirigida a um casal visto no cinema que concluía deste modo: «não gostei do modo como quase te abandonaste sobre o ombro. Fiquei com a impressão que se ele te pedisse um beijo lho darias (…) pensas que te vais casar com ele mas talvez isso não aconteça. Não estou a chamar-te estúpida mas é que as teorias modernas têm o condão de tornar as raparigas inconscientes do bem e do mal. Precisas de alguém que te tire dessa onda de modernismos e inconsciência. Confia tudo à tua mãe». (Editora: Temas e Debates, Capa: Fernando Rochinha Diogo) --

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por José do Carmo Francisco às 11:34

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