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Transporte Sentimental



Quarta-feira, 21.05.14

um almoço que não foi agitado nem tumultuoso

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A fotografia é de 1966, 48 anos passaram num instante e todos nós, os três rapazes e as oito raparigas, estudantes finalistas da Escola Técnica num dia de Maio no Jardim de Vila Franca de Xira, continuamos a preto e branco que é a côr da vida. A vida não tem as cores dos retratos dos casamentos modernos. A vida não tem retoques nem «Photoshop» porque é feita de sangue pisado, dúvidas e sonhos destroçados pelos anos sempre impiedosos. Todas as horas nos ferem e não há feridos ligeiros nesta laboriosa construção da angústia quotidiana. Todos somos feridos graves na estatística do nosso tempo interior. Mas às vezes surgem intervalos como o almoço de hoje que reuniu dois dos rapazes da fotografia e um editor e livreiro com muitos anos de experiência editorial e canções de José Afonso na cave da sua livraria da Avenida do Uruguai. Começo por ele para referir que o livro recém-premiado pela «Leya» de Gabriela Ruivo Trindade tem algumas páginas em que a educação sentimental da protagonista se desenvolve numa livraria de Lisboa, entre autores, editores e livreiros. Esse livreiro é o nosso amigo que não está na fotografia mas sim no almoço a três. Quanto ao rapaz do centro da fotografia fiquei a saber que é hoje um avô atento e solícito, um emigrante de uma aldeia do Alto Ribatejo saudoso do campo na cidade, um praticante do desporto «on line» junto do seu computador. Falámos de tudo num almoço em que ele exigiu ficar defronte das árvores da Mata de Monsanto. Na nossa conversa passou a luz da vida e a escuridão da morte, o Bairro do Bom Retiro e o Bairro da Mata, as nossas longas caminhadas a pé a caminho da Escola Técnica, as aulas que tínhamos nos Combatentes e no Matadouro, os jogos de futebol no CASI quando se mudava aos seis e acabava aos doze. O almoço não foi nem agitado nem tumultuoso. --

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por José do Carmo Francisco às 22:35

Quarta-feira, 21.05.14

novas leituras de 2009 - josé mário silva «o efeito borboleta»

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Este é um conjunto de histórias muito breves cujo ponto de partida é a definição de efeito borboleta: «se uma borboleta bater as asas, algures na Amazónia, pode provocar um tornado no Texas». Aqui se percebe que o amor é difícil: «Meu amor, Esta é provavelmente a última carta que te escrevo. Os meus netos venderão os móveis, deitarão fora o espelho e lerão, talvez com a indiferença de quem nada compreende, estas centenas de cartas que nunca te enviei.» Aqui se percebe que a morte é inevitável: «São sete da tarde. Alberto está na sua área, agitando o braço em semicírculo enquanto espera que algum automobilista se decida a estacionar. Depois de pedir ajuda a uma velhinha num 2CV preto vem a resposta com três notas de 50 euros – Meu filho, toma lá isto mas olha que nunca mais te quero ver nesta vida que levas, ouviste? – mas olhando melhor Alberto descobre uma gadanha no banco traseiro do 2CV. Aqui se aprende que nem sempre a literatura nos salva: «Quando A. M. Sousa publicou o seu primeiro romance aos 31 anos em 2014, a literatura portuguesa levou, nas palavras do crítico José Maurício Palhavã, um choque eléctrico fulminante. Ninguém esperava aquilo. Depois deu-se o previsível colapso. Cenas lamentáveis num talk show. O internamento numa clínica psiquiátrica. A longa travessia do deserto. O culto do silêncio. A vida austera num quarto sem nada. A pose do eremita.» Aqui se descobre o espanto de quem quer escrever um conto e leva com um tsunami em directo no ecran da televisão: «Alguém ligou a TV. Era domingo, manhã radiosa. E no outro lado do mundo uma onda erguia-se muito acima da ficção.» (Editora: Oficina do Livro, Capa: Neusa Dias, Revisão: Manuel Dias) --

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por José do Carmo Francisco às 18:07

Quarta-feira, 21.05.14

«abril 40 anos» - associação portuguesa de escritores

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Todos os diversos autores deste volume são sócios da Associação Portuguesa de Escritores tal como são muito diferentes os registos da colaboração: poesia, ficção, ensaio, teatro e escrita biográfica. O livro explica-se assim: «Quis a Associação Portuguesa de Escritores evocar os 40 anos do 25 de Abril, dia e projecto, tempo e realizações, memória e devir. Um tributo plural, nascido da liberdade de pensamento e criação, capaz de convocar testemunhos, análises, instâncias do júbilo ou da revolta, a palavra sem grilhetas que só a democracia assegura.» Os 90 participantes são: A. do Carmo Reis, Adelaide Graça, Adriano Augusto da Costa Filho, Afonso Cruz, Alfredo Luís Oliveira Luz, Álvaro de Oliveira, Amadeu Baptista , Andrade Santos, Anto Affonso, António Augusto Menano, António José Borges, António José Fernandes, António José Santos Branco, António Sá, António Souto, Armando Cardoso, Augusto Deodato Guerreiro, Aurelino Costa, Carlos Brito, Carlos Vale Ferraz, Cláudio Lima, Conceição Oliveira, Cristino Cortes, Domingos Lobo, Eduardo Águaboa, Eduardo Olímpio, Fátima Pitta Dionísio, Fernando Bento Gomes, Fernando Grade, Fernando Miguel Bernardes, Fernando Morais, Fernando Rovira, Francisco do Ó Pacheco, Graça Pires, Gracinda Sousa, Hélia Correia, Henrique Garcia Pereira, Henrique Madeira, Isabel Antunes, Isabel Rainha, Jacinto Rego de Almeida, João Alves da Costa, João Apóstolo, João Pedro Mésseder, João Rasteiro, João Rui de Sousa, Joaquim Murale, José Correia Tavares, José do Carmo Francisco, José Emílio-Nelson, José Miguel Noras, José Rodrigues Dias, José Viale Moutinho, Júlia Nery, Julieta Monginho, Liberto Cruz, Luís Eugénio Ferreira, Luís Graça, Luís Souta, Luís Vendeirinho, Luís Vieira da Mota, Luísa Ducla Soares, Manuel dos Santos Serra, Manuel Fortuna Martins, Manuel Frias Martins, Manuel Simões, Maria Alcina Adriano, Maria do Céu Silva, Maria do Sameiro Barroso, Maria Toscano, Maria Virgínia Monteiro, Mário de Carvalho, Marta Fialho, Miguel Barbosa, Miguel Raimundo, Miguel Real, Nicolau Saião, Nuno Vicente, Orlando Soares, Paulo Jorge Brito e Abreu, Paulo Sucena, Pires de Sousa, Rogério Pires de Carvalho, Rui Carlos Souto, Sérgio de Sousa, Teresa Martins Marques, Vergílio Alberto Vieira, Vítor-Luís Grilo, Zélia Chamusca e Zulmira Bento. São 329 páginas de leitura múltipla e para todo o ano: este «25 de Abril» é para durar 365 dias ou mais, numa espécie de almanaque perpétuo onde sabe bem entrar todos os dias. (Editora: Âncora, Capa: Sofia Travassos Diogo, Organização: Associação Portuguesa de Escritores) --

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por José do Carmo Francisco às 09:56


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