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Transporte Sentimental



Terça-feira, 13.05.14

outras leituras de 2009 - o primeiro jornal socialista

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António Pedro Lopes de Mendonça (1826-1865) figura no nosso século XIX ao lado de Garrett, Castilho e Herculano: historiador, poeta, jornalista, folhetinista, doutrinador, crítico e ensaísta. Mas também fundador e redactor anónimo de «O Século», um jornal de 11 números com 16 páginas cada, que se publicou entre 10 de Abril e 25 de Junho de 1848. Ernesto Rodrigues recupera-o para os leitores de hoje em 165 páginas de texto anotado que dedica a Manuela Rego e a Teresa Martins Marques. Vejamos de modo breve como Lopes de Mendonça escreve sobre a República em 1848: «A república não tem classes, não tem distinções, não tem interesses rivais: as lutas são as das ideias e a sua expressão é, tem de ser manifestada pela imprensa. Ás revoluções armadas hão-de suceder as reformas pacíficas; às paixões, os sentimentos; aos certames de partido, os combates de princípios. Alcançar-se-há esse ideal que debalde têm querido realizar as monarquias representativas? O sistema republicano acolherá no seu seio o princípio da perfectibilidade humana sem que ele ressurja de espaço a espaço tinto de sangue?» Incansável jornalista e homem de ideias, Lopes de Mendonça responde à pergunta «O que quer o socialismo?» deste modo: «A fraternidade substituída ao individualismo: isto é, o indivíduo ligado pelos sentimentos e pelas instituições à sociedade: a associação em vez da concorrência, isto é um regime industrial que iguale as condições dos três agentes da produção, o capital, o talento e o trabalho». A capa deste livro que vem revelar um novo aspecto na história das ideias do século XIX em Portugal, reproduz um quadro do pintor Gaspar David Friedrich (Nuvens passageiras). (Edição: Ernesto Rodrigues, Execução Gráfica: Textype Lda.) José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 22:13

Terça-feira, 13.05.14

o maior escândalo erótico-social do século XX em portugal

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No dia em que este livro foi apresentado por José Barreto no 7º andar do El Corte Inglés de Lisboa um grupo de estudantes (ul)trajados de preto passaram perto de uma esplanada no rés do chão desses armazéns. O cortejo era uma miserável amostra das chamadas «praxes académicas» e nem as mortes recentes (no Meco e em Braga) fizeram recuar o lixo humano que se manifesta deste modo reles, sujo e bacoco. Este incidente liga-se com a realidade de outros estudantes, estes de 1923 e que, com Pedro Teotónio Pereira à frente, reagiam de capa e batina ao aparecimento daquilo a que eles chamavam «publicações escandalosas» - «Sodoma Divinizada» de Raul Leal, «Canções» de António Botto e «Decadência» de Judith Teixeira. Alguns jornais da época (O Século, A Época, A Capital) publicaram o manifesto da dita Liga de Acção dos Estudantes de Lisboa que, entre outras baboseiras, proclamava: «Nas nossas mãos brandimos o ferro em brasa que cicatriza as chagas». Dá uma ideia da perversão, do delírio e da loucura desta gente. Em 1923 como em 2014, tudo parece igual. Este livro que demorou sete anos a preparar a Zetho Cunha Gonçalves (n.1960) tem nas suas 217 páginas muitos outros motivos de interesse: nele se juntam textos de Fernando Pessoa, Álvaro Maia, Raúl Leal, António Botto e Júlio Dantas (por exemplo) além de Pedro Teotónio Pereira e Marcelo Caetano (do outro lado da barricada). Um dos aspectos mais curiosos é ver como Júlio Dantas que foi atacado no «Manifesto» de José de Almada Negreiros aparece aqui como defensor da liberdade de expressão e completamente contra as fogueiras de livros que os ditos estudantes de Lisboa querem fazer no Governo Civil. (Editora: Letra Livre, Concepção Gráfica: Rui Silva, Revisão: Andreia Baleiras) --

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por José do Carmo Francisco às 18:25

Terça-feira, 13.05.14

o maior escândalo erótico-social do século XX em portugal

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No dia em que este livro foi apresentado por José Barreto no 7º andar do El Corte Inglés de Lisboa um grupo de estudantes (ul)trajados de preto passaram perto de uma esplanada no rés do chão desses armazéns. O cortejo era uma miserável amostra das chamadas «praxes académicas» e nem as mortes recentes (no Meco e em Braga) fizeram recuar o lixo humano que se manifesta deste modo reles, sujo e bacoco. Este incidente liga-se com a realidade de outros estudantes, estes de 1923 e que, com Pedro Teotónio Pereira à frente, reagiam de capa e batina ao aparecimento daquilo a que eles chamavam «publicações escandalosas» - «Sodoma Divinizada» de Raul Leal, «Canções» de António Botto e «Decadência» de Judith Teixeira. Alguns jornais da época (O Século, A Época, A Capital) publicaram o manifesto da dita Liga de Acção dos Estudantes de Lisboa que, entre outras baboseiras, proclamava: «Nas nossas mãos brandimos o ferro em brasa que cicatriza as chagas». Dá uma ideia da perversão, do delírio e da loucura desta gente. Em 1923 como em 2014, tudo parece igual. Este livro que demorou sete anos a preparar a Zetho Cunha Gonçalves (n.1960) tem nas suas 217 páginas muitos outros motivos de interesse: nele se juntam textos de Fernando Pessoa, Álvaro Maia, Raúl Leal, António Botto e Júlio Dantas (por exemplo) além de Pedro Teotónio Pereira e Marcelo Caetano (do outro lado da barricada). Um dos aspectos mais curiosos é ver como Júlio Dantas que foi atacado no «Manifesto» de José de Almada Negreiros aparece aqui como defensor da liberdade de expressão e completamente contra as fogueiras de livros que os ditos estudantes de Lisboa querem fazer no Governo Civil. (Editora: Letra Livre, Concepção Gráfica: Rui Silva, Revisão: Andreia Baleiras) --

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por José do Carmo Francisco às 15:42

Terça-feira, 13.05.14

novas leituras de 2009 - fernando pessoa

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Fernando Pessoa é o mais avassalador de quantos polígrafos o século XX deu à literatura portuguesa. Em boa hora a editora «Bonecos Rebeldes» resolveu publicar uma recolha de Zetho Cunha Gonçalves que junta textos de ficção narrativa publicados em jornais e revistas pelo próprio Fernando Pessoa. «Contos, fábulas & outras ficções» é um livro irreverente e indisciplinador, um hino à liberdade e um libelo contra toda e qualquer forma de censura, prepotência, submissão e conformismo. Na página 83 deste livro aparece «A origem do conto do vigário» no qual Fernando Pessoa explica à sua maneira a origem da expressão «conto do vigário» como tendo a ver com as façanhas de um tal Manuel Peres Vigário, lavrador ribatejano que teria enrolado seus irmãos num negócio de vinho. Mas a versão que eu tenho como correcta sobre a expressão vem de Vasco Botelho do Amaral e tem a ver com o conto do vigário «lisboeta» digamos assim. O burlão diz ao papalvo que o vigário da sua freguesia lhe confiou uma grande quantia para entregar a alguém quantia essa que está no embrulho – chamado paco. A pessoa que vai na conversa entrega o dinheiro pedido, acreditando que dentro do embrulho estão as notas que largamente compensarão o dinheiro emprestado em troca. E assim «vai no embrulho» pois, aberto o dito, vê que dentro dele só havia papel de jornal inútil e não as notas que seduzem os incautos. Estaremos perante uma invenção, mais uma, de Fernando Pessoa que teria aproveitado a expressão «conto do vigário» para imaginar uma história que viria a publicar no jornal «Sol» em 30-10-1926? Quem tem razão – Vasco Botelho do Amaral ou Fernando Pessoa? Será que a razão está com os dois? Responda quem souber… (Editora: Bonecos Rebeldes, Organização, prefácio e notas: Zetho Cunha Gonçalves, Capa: Fernando Martins, Foto: Teresa Gonçalves) --

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por José do Carmo Francisco às 10:36


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