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Transporte Sentimental



Sábado, 03.05.14

poema de levi condinho e foto de alfredo cunha

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Apetece escrever como Joana Ruas num seu poema sobre a Pietá de Roma - «Somos parecidos no riso e diferentes nas lágrimas». Fico-me pela citação respeitosa. Os 40 anos do «25 de Abril» deram agora em 2014 pano para mangas. Muita gente surge com memórias privadas do dia mágico de 1974 e houve até paspalhões que se puseram a tentar comparar o país de 1974 com o país de 2014. Como se fosse possível comparar dois tempos tão opostos. Um com a guerra; outro com a paz. Adiante… Este poema de Levi Condinho, escrito em 23-4-2014, recorda os mortos da Rua António Maria Cardoso frente à PIDE/DGS, mortos cujos nomes muitas vezes são obliterados pelos distraídos que dizem, tantas vezes com um microfone à frente do nariz – «Foi uma revolução sem sangue e sem mortos». Como eles se enganam… A foto é de Alfredo Cunha e vem a propósito porque me parece a grande imagem do 25 de Abril. Se tivesse que escolher uma era esta que escolhia. Vejamos então o poema: «Anti-herói (na Rua António Maria Cardoso) No dia 25 de Abril de 1974 / «às cinco da tarde» / ou um pouco depois / eu estive lá. / Oiço perenemente a rajada / de metralha / qual música maligna / e sei (senti-o nessa hora sombria) / que poderia ter acabado ali. / Passados quarenta anos / constato que nenhuma falta / teria feito ao Universo / (Talvez o próprio Universo / não faça falta ao Universo». Levi Condinho --

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por José do Carmo Francisco às 16:52

Sábado, 03.05.14

uma memória para filipa

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A princesa do mouchão Menina no meio da terra Tem nos olhos a canção Coração em pé de guerra Da água toda a frescura Mata a sede aos animais Em manadas na lonjura Do lado oposto do cais Papoilas são raparigas Na voz da terra a cantar Água e terra são amigas Só a água vai para o mar Olhas a terra trazida Pelas cheias deste rio Milhões de dias de vida Entre o calor e o frio Memória é pensamento Auto-estrada é novidade Os baldinhos de cimento Passam sem velocidade Sobre os carros da gente Numa nuvem de poeira Vem o vento de frente Mistura o pó da caldeira Neste ar em circulação Onde os nossos pulmões A olhar para o mouchão Fazem dos olhos canções (José do Carmo Francisco em 3-5-2014, atónito) --

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por José do Carmo Francisco às 14:50

Sábado, 03.05.14

outras leituras de 2009 - «tarde azul» de julio

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Júlio Maria dos Reis Pereira (1902-1983) está presente nesta antologia numa dupla inscrição: o poeta Saúl Dias e o pintor Julio. Poeta do Amor e do Encontro, os seus poemas são um ponto alto no lirismo português: «Só porque me sorriste / nessa tarde / o sol inundou a cidade. / E no meio do asfalto / entre o rumor dos táxis / surgiram de repente / árvores agrestes cheias de flores e pássaros. / E eu senti-me como se ouvisse / tangido lá da infância / um roque de novena / ou percorresse, alheado e sozinho / num dia de Verão entre zumbir de insectos/ um caminho de aldeia». Mas também Poeta da consciência da sua própria escrita, como poeta moderno que é: «Versos / escrevem-se / depois de ter sofrido. / O coração / dita-os apressadamente. / E a mão tremente / quer fixar no papel os sons dispersos…/ É só com sangue que se escrevem versos.» Dessa relação entre poema e poeta, entre canção e reflexão, nasce uma ideia para todo o sempre: «O Poeta morre / mas não cessa de escrever. / Enquanto escreve / vive / ressuscitando fugidias horas / mudadas em auroras… / Uma pequenina flor / pisada por quem passa / é agora / um milagre de cor / uma negaça / de mil desejos… / E os beijos / que nunca foram dados / tornados tão reais…» (Editora: Bonecos Rebeldes, Organização: Maria João Fernandes e Gonçalo Salvado, Capa: Fernando Martins, Apoio: Círculo Católico de Operários e Câmara Municipal de Vila do Conde) José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 12:25


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