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Transporte Sentimental



Segunda-feira, 14.04.14

«receitas da minha vida» de branca vilallonga

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Em Portugal existe, persiste e resiste uma literatura gastronómica notável. Basta pensar em autores como Aquilino Ribeiro, Bulhão Pato ou Júlio César Machado e no grande trabalho de registo e divulgação levado a cabo nesta área por José Quitério em jornais, revistas e livros. Este livro múltiplo de Branca Vilallonga engloba receitas mas também memórias, emoções e afectos. No índice as sopas são 3, as entradas também 3, os acompanhamentos são 3, de peixe existem 17 receitas, de carne são 12 e, por fim, 14 entre bolos e doces. Cada receita do livro surge dedicada a uma figura das Artes, das Letras ou do de Amizade e Familiar. Um aspecto muito curioso é a presença do humor. Na página 18 recorda a autora um livro de cozinha de sua mãe («100 maneiras de cozinhar bacalhau») e uma receita algo insólita: «cozer o bacalhau, as batatas e as couves e depois temperar. Só com alho, pimenta e vinagre. Não pôr nem uma gota de azeite. Porque se o bacalhau é magro não merece e se é gordo não precisa». Chama-se «Bacalhau à Salazar», como não podia deixar de ser. Uma das memórias mais felizes da autora é a da visita com 5 anos de idade à Confeitaria Nacional: «Lembro-me de ir, no Inverno, à Confeitaria Nacional na Praça da Figueira, de mão dada com a minha tia Dinorah. Ainda hoje lá vou (e bebo chá misturado com saudades)». Um pormenor de muita ternura tem a ver com a inclusão nas páginas 125, 129 e 133 de receitas antigas manuscritas. Também a sabedoria salpica este livro entre receitas, memórias, emoções e afectos. Por exemplo esta frase sobre gastronomia: «A boa cozinha é quando as coisas sabem àquilo que são» ou esta sobre a vida: «Casar uma vez é um dever, duas vezes uma asneira, três vezes uma loucura».
O posfácio de Levi Condinho recorda o perfil da amizade mútua e traça um retrato da autora («habita no coração de Alfama, ali à Sé, adora o fado, as festas dos Santos Populares») que termina com um toque de ironia: «tem um pequeno defeito: não bebe álcool, não gosta de vinho; problema seu, Branca ao menos que gostasse de branco…» (Editora: Pó de Estrelas, Capa: Luís Custódio, Paginação: Carlos Sousa, Posfácio: Levi Condinho) --

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por José do Carmo Francisco às 20:44

Domingo, 13.04.14

fernando venâncio na ericeira e a visita guiada de anabela

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O primeiro passo da crónica será o desfazer do equívoco. Fernando Venâncio não estava na Ericeira em corpo mas apenas em espírito através da citação dum seu texto em «Último minuete em Lisboa», uma edição Assírio & Alvim de 2008. O segundo passo será sublinhar uma coincidência e uma curiosidade. Ao lado do retrato e das palavras de Fernando Venâncio estão o retrato e as palavras de Pinheiro Chagas. Ora o primeiro, especialista em temas da cultura do século XIX português e autor da tese de doutoramento «Estilo e Preconceito», sublinhou num artigo de opinião no «J.L.» que no tempo de Eça de Queirós quem era mais conhecido era Pinheiro Chagas. Como curiosidade adicional recebo um volume de «Tristezas à Beira-Mar» numa publicação recente da editora ericeirense «Mar de Letras». O terceiro passo será a visita guiada à exposição no parque de Santa Marta e tenho o prazer de contar com Anabela no papel de cicerone. Acabamos por falar do seu recente trabalho académico sobre Armando Cortes Rodrigues e a respectiva Poesia em envolvimento com o Modernismo. O sorriso de Anabela é apaziguador para o meu cansaço de sábado à tarde. Por isso não levo o automóvel e tomei em Lisboa às 10 e 40 da manhã a mesma «carreira» que em 1981 José Saramago tomava em sentido contrário, entre a Ericeira e Mafra para ver (primeiro) e escrever (depois) o romance da construção do Convento. Falámos, eu e Anabela, ainda de Vitorino Nemésio e da sua «Festa Redonda» que muito deve a Armando Cortes Rodrigues mas o horário da «carreira» para Lisboa não permitia mais conversas. Até breve, Anabela e obrigado pela belíssima visita guiada à exposição da Ericeira na Literatura e no Jornalismo. José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 15:18

Quinta-feira, 10.04.14

a «linha do oeste» de levi condinho

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Releio de novo um poema de Levi Condinho editado em «A Voz de Alcobaça» de 31-5-1997 na coluna «As letras do Levi». É um longo poema que ocupa toda uma página do mensário alcobacense. Das suas nove sequências um excerto, o oitavo: «há quase cinquenta anos / estes carris eram a cama deslizante / de grazinas carregadas de homens e picaretas / e comboios de prata azulada / com máquinas negras na pele e no fumo / êmbolos manivelas arrepio de morte e fascinação / quase cinco horas de pé rumo a Lisboa / sobre o banco à janela boquiaberto / de admiração e sôfrego de nada perder / quanto à paisagem e suas coisas notáveis / pequenos argueiros de carvão / roçavam o rosto ameaçando os olhos / e como num certo quadro de Guilherme Parente / aquela palmeira eterna e etérea / rente ao moinho de água / feito de folhas de lata ou zinco / roda/rosa de escamas / e cauda no vento / coisas de pouca coisa da Arte» Podia lembrar as rosas na Estação de Pero-Negro ou os goivos na estação de Dois Portos, a várzea de Óbidos ou os campos da Cela ou do Bárrio com outros diziam – mas não. Prefiro dissertar um pouco sobre uma palavra que surge no poema num contexto, numa circunstância, num certo tempo português que é o do discurso poético. Datado de 28-4-1996, quando Levi Condinho se deslocou de Lisboa para o Valado de Frades e daí para Alcobaça onde assistiu ao concerto de homenagem a Fernando Serafim, o poema incorpora palavras dos anos 40 e 50, como a grazina do terceiro verso. Mas «grazina» não existe, os ferroviários usam a palavra «dresine» - um veículo ligeiro auxiliar seja na inspecção do tráfego seja nas obras da via. Catrapil por caterpilar ou alcadute por aqueduto são corruptelas vulgares.

José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 18:34

Quarta-feira, 09.04.14

leituras de 2008 - josé fernandes fafe - «fidel»

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José Fernandes Fafe (Porto, 1927) tem o perfil indicado para escrever um livro sobre Fidel. Foi embaixador de Portugal em Cuba de 1975 a 1977. Antes já tinha estado em Havana em 1963, 1969 e 1974. Voltará em 1996. Mas, antes de dissertar sobre Fidel, o autor recapitula a guerra da independência de Cuba (1868), um governo provisório em 1909 chefiado por um americano William Taft e o estranho aluguer de Guantánamo que só pode caducar quando os americanos quiserem. Sobre Fidel são 200 páginas de texto entre o testemunho (muitas horas de convívio) e a investigação (muitas horas de livros lidos). Apenas umas linhas: «Um dia destes Fidel Castro morre. E, se pensarmos na vida que teve, bem o merece. Em criança andava sempre à pancada. Adolescente, aprendeu a disciplina dos Jesuítas. Na universidade foi um praxista de tiroteio entre bandos civis. Da atracção da aventura nunca se libertou. Compreende-se, é um afrodisíaco. O assalto ao quartel Moncada, a prisão, o exílio, o naufrágio do desembarque do Granma. Dois anos de guerra de guerrilhas. Depois, a revolução e, como dizia Heine, «uma revolução traz sempre violência, sangue, lama». O circo dos julgamentos de 1959 (de que sente remorsos? sentirá alguns?) A vitória de Girón. Ainda não haviam passado dois anos tangenciou a guerra nuclear… A implosão da URSS. Reconstruir tudo, outra vez. Mas este homem é um sísifo! Com a vida que teve bem merece um descanso. E, proporcional aos trabalhos e aos dias que levou, só a morte.» (Editora: Círculo de Leitores - Temas e Debates, Capa: Rochinha Diogo) --

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por José do Carmo Francisco às 12:09

Terça-feira, 08.04.14

alice ruivo - «passei, parei, deixei-te um beijo»

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Depois de «O amargo e doce sabor da vida» (2001), «Matilde, Carlota e Juliana» (2004) e «No dorso do vento» (2011), o título desta quarta ficção da autora (152 páginas) tem origem na visita do protagonista (Toino) ao cemitério onde repousam os restos mortais de sua mãe, Esmeralda: «Passei, parei, deixei-te um beijo». Alice Ruivo (n.1955) organiza a narrativa a partir da figura de Toino: «A minha vida foi, toda ela, uma eterna aprendizagem que me fez chegar à flor da pele a sensibilidade de rejeitar ou gostar da infância que tive. Pois bem: não gostei.» Toino vive entre o estilo e o sangue pisado: «Pode parecer um livro iletrado. Mas se lhe falta cultura, sobra-lhe o drama pessoal e esse é todo o material de que disponho: é a minha matéria-prima.» O ponto de partida é o Bairro («No meu bairro todos os dias eram feios») e a conclusão só pode ser uma: «Tudo isso fazia com que o meu bairro fosse um lugar esquecido por Deus». Habita esse espaço uma gente especial: «Acontece que o Blé Trigo, o Zeca, o Argolas, o Torrão, o Chico Gaita e aquele bairro representavam as farpas de uma memória que não queria avivar. O cómico de outrora, as figuras anedóticas, tudo agora se tornara grotesco.» A dupla inscrição permanente nesta narrativa nota-se tanto na primeira página («O dia estava triste») como na penúltima página: «caminhámos devagar naquele esplêndido dia de Junho». O bairro de barracas surge como a metáfora perfeita do Portugal de antes do «25 de Abril» com 35 por cento de analfabetos – desorganizado, isolado, com a luz eléctrica das barracas retirada dos postes de iluminação pública. O fascínio de Toino pela vida militar (sua cadeia de comando, sua disciplina, sua hierarquia organizada) faz com que na tessitura do livro seja ele o protagonista dos três «D» do «25 de Abril» - descolonizar, democratizar e desenvolver. E até os carros de combate, junto dos quais faz a quarta classe e tira a carta de condução, são os mesmos que fizeram o princípio da vitória no «25 de Abril» no Terreiro do Paço, na Rua do Arsenal e na Avenida Ribeira das Naus. (Editora: Seda Publicações, Capa: Augusto Silva) José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 11:04

Segunda-feira, 07.04.14

os mortos de santa catarina na I grande guerra

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João Jacinto dos Santos e João Higino são os nomes de dois jovens soldados de Santa Catarina que morreram em França durante a I Grande Guerra e pertenceram ao R.I. 5 das Caldas. Graças ao excelente trabalho de Carlos Cipriano são 43 nomes (3 oficiais, 5 sargentos e 35 cabos e soldados) que a edição do dia 9-4-1926 (agora fac-similada) recorda com emoção, antecedido por um texto do coronel Soeiro de Brito. Ainda hoje, passados tantos anos (oitenta e oito, nem mais nem menos, esta lista arrepia como uma oração rezada num cemitério, entre a terra castanha e o céu azul. Cemitérios pois… que outra coisa não eram as trincheiras de La Lys onde morreram 7.500 portugueses na tristemente famosa batalha de 9 de Abril de 1918. Meu avô José Almeida Penas (1906-1979) falou-me muitas vezes dos mortos catarinenses na I Grande Guerra e também nos sobreviventes como o Tio Zé Bernardino que eu (nascido em 1951) ainda conheci bem porque os seus filhos foram amigos dos meus tios e as suas filhas foram amigas da minha mãe e da minha tia. João Higino e João Jacinto dos Santos são hoje dois nomes a soletrar em sentido e para isso não é preciso estar nas fileiras. Eu sou hoje um paisano e sinto esse frémito, essa comoção, esse estremecimento porque percebo serem os seus nomes (também dos seus pais João Higino, Júlia dos Santos, Jacinto dos Santos e Ana Rosário) sinónimos hoje em dia de uma Europa que eles ajudaram a construir com o seu sangue generoso, atónito e juvenil. Uma lista de mortos hoje numa «Gazeta» de Abril de 2014, 96 anos passados sobre os factos e 88 anos depois da notícia emocionada, pode ser lida como um poema ou uma oração: maneira frágil mas humana de juntar de novo tudo o que a morte separou. José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 09:02

Domingo, 06.04.14

outras leituras de 2008 - joaquim carvalho

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O registo destes poemas oscila sempre entre a Natureza e a Arte. A Natureza está na página 102: «Oiço / o gaio / cantar nos pinheiros. / Num agitar de asas / a caruma cai / doura o chão / e acrescenta odor de resina / que / misturado no ar quente / me incita a mergulhar…» A Arte está na página 105: «Pintar-te é dar cor ao último pensamento / Desenhar-te é ser contorno da tua pele / Esculpir-te é encontrar teu espaço dentro de mim / Amar-te é darmos sentido ao último encontro.» «Recuperar a claridade» é o título do poema da página 125: «O que outrora / era claro e transparente / adquiriu num ápice / a turbidez de um rio de lama. / Agora as nuvens escondem no avesso / o que resta da luz dos dias que já teve. / Por fora / a penumbra anuncia a tristeza que o espera / se não for capaz de impedir que a escuridão / se instale. / Há que ceifar rente a morte / e, com alegria, / recuperar a claridade / que as nuvens escondem.» E só existe uma maneira de cumprir esse programa, de recuperar a claridade. É pelo amor porque só o amor pode ser uma resposta para a morte. Como na página 184: «Sem vislumbre / sem procura / sem razão / sem tempo / Puro encontro… / leve… / sublime… / translúcida… / transparente… / Inevitável viagem / Inês é vela / Pedro é timoneiro / Lá dentro vamos todos nós / Vai Portugal inteiro!» Um poema não é um amontoado de palavras, é um lugar mágico para estarmos todos juntos. No fim desta viagem de 191 páginas fica uma certeza: Só o amor responde à morte e só há uma medida para o amor – é amar sem medida. (Pangeia Editores, Apresentação: Urbano Tavares Rodrigues, Nota: Rodrigues Vaz) José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 19:05

Sexta-feira, 04.04.14

leituras de 2008 - teolinda gersão «a árvore das palavras»

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Sexta edição dum livro de 1997, esta árvore das palavras existe mesmo: «sentava-me debaixo da árvore do quintal e falava com o vento e as folhas. A árvore abanava os ramos e eu pensava: a árvore das palavras». O palco da acção é Lourenço Marques: «Tudo parece bem à superfície mas a cidade está podre e cheia de contágios. Ela foi construída sobre pântanos». É uma cidade de contrastes: «Nos negros não se pode confiar. Porque nos desejam mal e nos odeiam.» A divisão acontecia até nos correios onde «havia guichets para comprar selos para brancos e outros guichets iguais mas com o letreiro «não brancos» como se os selos não fossem iguais». A protagonista da história circula entre dois mundos: «Parecia tudo tão simples a quem estivesse de fora mas havia debaixo desse mundo ocioso e brilhante, um outro, escondido, feito de ódios, rivalidade, inveja, ciúme, havia os amantes, as amantes, as noites varadas na mesa de jogo, o álcool, os escândalos». Ela sabe que «bastava um nada para que a sua vida tivesse sido outra – ter respondido a outro anúncio, ter-lhe ido parara às mãos outra folha de jornal». Numa cidade dividida no espaço («Um dia a cidade de caniço vai invadir a de cimento») a protagonista sente-se dividida no sentimento («Havia os que subiam e os que andavam sempre para trás») mas esse falso equilíbrio vem a romper-se com a guerra: «Portugal era um país mal governado. Mal pensado. Lisboa não dialoga com os africanos». Para além da história da mulher que casa por anúncio de jornal, este livro inesquecível dá-nos o registo do tempo e do lugar, a memória e a filosofia de África onde a pressa não existe: «a verdadeira vida é vagarosa. São os mortos que têm pressa. E os loucos». (Editora: Sextante, Capa: Susana Cruz/Henrique Cayatte) José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 14:22

Quinta-feira, 03.04.14

encontro com um homem sério de sorriso bom

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A cidade faz entrar no autocarro gente zangada com a vida, rostos suburbanos, sombrios, soturnos, capazes de azedar o açúcar dos afectos. Deixo-me envolver nessa amargura falha de razões e propósitos e olho sem observar os outros passageiros do «58». Mas penso que em tempos dediquei um poema ao «15», seu antepassado, poema que faz parte do livro «Transporte Sentimental» editado pela Câmara Municipal de Lisboa. Fiquei à conversa com este homem que me habituei a respeitar desde 1997. Foi um tempo em que os pais ainda contrariavam os filhos que gostavam de jogar futebol. Um dos poucos sempre atrás do filho era o Caneira que vinha de Negrais e, no regresso dos jogos fora, chegava sempre primeiro à porta «10A». Mistério que este homem discreto um dia me desvendou: «A gente pára em Alhandra para deixar o Luís Miguel». Era verdade mas eu não relacionava as coisas. Estivemos lado a lado em Cantanhede quando a equipa de Juniores do SCP espatifou por completo os azuis e brancos de Madjer em Julho de 1997 com Tony Kakinda a brilhar no campo todo. O título foi perdido na Nazaré com uma arbitragem que virou o resultado de 1-0 para 1-2 a favor do Boavista, era um jovem árbitro a pagar a factura da promoção. Pior que a derrota foi a morte de Tony Kakinda que soubemos numa manhã de Domingo na porta «10A» onde um cunhado do jogador veio informar o Futebol Juvenil do SCP. Aprendi com este homem que a salvação de um jogo mau está no próximo jogo. «Para a semana há um jogo que é preciso ganhar!». Com esta frase sábia ele sustinha muitas lágrimas e várias lamentações. No mundo do Futebol o próximo jogo é o resgate de todas as desgraças. Coloco a foto de seu pai com quem deve ter aprendido tudo o que sabe sobre a vida, a moral e os homens. Obrigado amigo. José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 16:03

Quarta-feira, 02.04.14

caldas da rainha «ontem & hoje» +óbidos, bombarral e são martinho

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Ao lado das 148 imagens a cores e a preto-e-branco, estes 74 textos de quase outros tantos autores e autoras (há repetentes) dão uma ideia em texto e imagem ao longo de 205 páginas do que foi esta aventura jornalística. Durante 74 semanas a página 2 da «Gazeta das Caldas» colocou-se ao serviço de uma memória não exclusiva pois incorpora, além das Caldas da Rainha, textos sobre Óbidos, Bombarral e São Martinho do Porto. O jornal é, pela sua natureza, um objecto efémero. Os diários morrem na manhã seguinte, os semanários vivem sete dias apenas mas o livro pode ser portátil e mais perene. Por ter lugar nas estantes públicas das livrarias ou privadas da casa de cada um de nós, o livro pode aspirar a alguma eternidade. Sempre relativa. No primeiro prefácio o historiador João Serra refere «a nostalgia da cidade ideal» que surge «em todos os textos» do livro porque não há «experiência de cidade sem utopia de cidade» e o nosso olhar sobre as cidades não é uniforme nem simples: «há o que nos orgulha e o que nos envergonha». No segundo prefácio, Telmo Faria elogia a ideia do livro e recorda a sua ligação de 12 anos a Óbidos «à volta da ideia orientadora de que o útil não poderia matar o belo». Joaquim António Silva recorda a origem deste projecto: uma exposição de 1984 na Casa da Cultura com o título de «Caldas Ontem e Hoje». Nela qual se comparavam fotografias caldenses antigas com outras actuais e executadas a partir do mesmo ponto de vista. A sala de visitas das Caldas da Rainha foi, é e continuará a ser (se as pessoas voltarem…) a Praça da Fruta. O texto de Carlos Querido na página 42 do livro começa assim: «Todas as cidades e vilas têm um coração para onde correm as artérias que levam e trazem as pessoas que lhe dão vida. O coração da nossa cidade começou por bater lá em baixo no berço da vila, frente ao Hospital, ao ritmo das badaladas dos sinos da igreja de Nossa Senhora do Pópulo. Depois subiu pela Rua Direita, que é hoje da Liberdade, até ao Rossio, onde nos tempos do rei magnânimo se instalaram os paços do concelho, frente ao pelourinho que ocupava uma parte da praça nova que é hoje da República.» Muitos outros motivos de interesse surgem nas páginas deste livro como por exemplo um conto de David Mourão-Ferreira («O viúvo«) com enredo na Foz do Arelho, uma memória de Álvaro Cunhal quando em fins de 1947 visitou Soeiro Pereira Gomes em Salir do Porto por alturas da escrita do livro «Engrenagem» ou o romance-fotográfico «Atlântico» de Pedro Rosa Mendes e João Francisco Vilhena. Nota final para algumas gralhas que podem ser rectificadas na segunda edição: pág. 11 «as imagens tem» em vez de têm, pág. 49 Gazeta das Caldas sem itálico, pág. 140 «burlão» em vez de Borlão, pág. 138 «raias» em vez de baias, pág. 170 David Mourão-Ferreira sem hífen, pág. 171 «Sinda» por Sinde Filipe, pág. 182 «pacifico» por pacífico, pág. 192 politica por política e 197 Gazeta a negrito em vez de itálico. (Editora: Gazeta das Caldas, Grafismo: Joaquim António Silva, Prefácio: João Serra e Telmo Faria) José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 14:18

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