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Transporte Sentimental



Segunda-feira, 31.03.14

«os rapazes dos tanques» de alfredo cunha e adelino gomes

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O título deste livro (feliz, fecundo e febril encontro da imagem e da palavra sobre aquele dia «inicial, inteiro e limpo» como lhe chamou Sophia) integra uma relativa transgressão. Os homens da Cavalaria não gostam de ouvir chamar «tanques» tanto às viaturas de lagartas (carros de combate) como às de rodas (EBR, M47 e Chaimites) tal como na Marinha não gostam de ouvir chamar «barcos» aos navios ou «cordas» aos cabos. Adelino Gomes adverte o leitor: «Este não é um livro de História. O que temos para oferecer são fragmentos de uma revolução, na memória de quem a ajudou a arrancar no terreno. A verdade que cada um guarda em si do que fez e viu, a que somámos a forma como, passadas quatro décadas, avalia o resultado da mudança histórica em que se envolveu, ou se viu envolvido, naquele dia.» Mas este não é mais «um» livro sobre o 25 de Abril, é «o» livro sobre o 25 de Abril. Todas as discrepâncias estão aqui presentes, notadas e relevadas. Por exemplo o facto de no Ultramar não haver viaturas M47 mas as acções decisivas no Terreiro do Paço, Rua do Arsenal e Ribeira das Naus, terem sido tomadas por homens dentro de viaturas M47. Outro aspecto curioso: foi um simples cabo apontador (José Alves Costa) que disse «não» ao poderoso brigadeiro Junqueira dos Reis. Catorze anos depois, numa entrevista dada a Fernando Assis Pacheco, sobre esse gesto de recusa, Salgueiro Maia dirá: «Aqui é que se ganhou o 25 de Abril». O cabo apontador José Alves Costa (n.1951) vinha de um tempo de escravidão («Cheguei a comer meia sardinha e pão bolorento») e hoje continua a festejar o 25 de Abril («Abençoado dia») também porque a sua recusa ajudou a fazer a História: «Eu ia matar inocentes e fazer aquilo que não queria fazer? Daí eu recusar-me a dar fogo. É essa responsabilidade que eu assumi na maré e assumo.» Nora final – neste «livro para ver e ler» escolhi uma foto de Alfredo Cunha em vez de capa não só porque a considero «a fotografia» mas também porque não pude reproduzir a capa por razões técnicas. A capa é muito grande como grande é a emoção depois da leitura deste álbum de palavras e de imagens. Por ser grande não cabe no vidro A4 do aparelho tal como a mensagem deste livro não cabe no coração dos seus leitores. (Edição: Porto Editora, Capa: Alexandre Fernandes, Apoios: Câmara Municipal de Lisboa, Município de Braga, Assembleia da República, Município de Barcelos) José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 15:06

Domingo, 30.03.14

o novo livro de hugo beja

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A poesia de Hugo Beja (n.1943) encontra-se em grande parte inédita. Nos anos 60 integrou o Movimento Des-integracionista» com os escritores Armando Ventura Ferreira, Costa Mendes, Fernando Grade, Júlio-António Salgueiro, Nuno Rebocho e o pintor Mário Elias. A sua dupla inscrição de poeta e de artista plástico surge no poema da página 18, lembrando a sua avó. Primórdios do poeta: «Pelo meio-da-rua teu menino andava e ainda anda com uma simples quadra ciciada…» Primórdios do artista plástico: «Com lápis «Viarco» retrataste Castro e Albuquerque, ó inocência!» Nas citações dos poemas do livro se repete essa dupla referência da poesia e das artes plásticas: ao lado de José Régio, Jorge de Sena, José Gomes Ferreira, Fernando Pessoa e Ruy Belo, surgem Buonarroti, Leonardo, Rafael ou De Chirico. Entre a Natureza e a Cultura, o Poeta ouve a música (Stravinsky, Carnina Burana), vê uma dança (Nureyev) ou uma pintura (Kandinsky) e percebe que deixou de «ter idade» porque: «Compunhas tua ode misturando oólitos com musgo, matéria transcendente contida em velhos muros. Ficaste com remotos povos e edens ameaçados.» Depois de uma advertência em auto-citação («Em poesia não há «tempos» mas tão só existência») surge uma conclusão, provisória: «Indecifrável fala, a «fala». Apelo, exultação, feliz nomeação de Tudo Isto. Isto livre de «isto» e tributário de Tudo. E tudo Poema, faltando-lhe embora a sílaba sublime que ninguém escreveu ou escreverá.» (Editora: Fólio Exemplar, Capa: Ana Nunes, Desenho, Hugo Beja, Colecção: Gutemberg 2) --

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por José do Carmo Francisco às 18:11

Domingo, 30.03.14

para fernando venâncio - as gralhas e etc

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Fernando Venâncio chamou a atenção no Facebook para a lamentável troca de um verso de um poema de Luís de Camões («apagada e vil tristeza»)como se fosse da autoria de Alexandre O´Neill, (1924-1986) o autor, isso sim, do livro «Feira Cabisbaixa». Pois a observação de Fernando Venâncio despertou em mim a memória de um lapso não igual mas parecido surgido na edição (1974) feita pela Editora Sá da Costa do livro «Sagrada Esperança» de Agostinho Neto. Na página 16 o texto de apresentação refere uma série de autores franceses e no fim dessa lista um tal André Mauriac. Que não existe e isso é óbvio. Existe sim um François Mauriac (1885-1970) e um André Maurois (1885-1967) cujo nome civil era, por acaso, Émile Hersog. O primeiro foi romancista, escreveu nos jornais e nas revistas (Figaro, L´Express, Cahiers, Table Ronde) e obteve o prémio Nobel da Literatura em 1952. O segundo tornou-se conhecido pelas suas biografias romanceadas de Marcel Proust em 1949 e de Disraeli em 1928. O texto que refere por engano o nome de um autor inexistente – André Mauriac – está assinado por Marga Holness e é precedido de um prefácio de Basil Davidson. Este livro é especial até porque está autografado por Agostinho Neto, ele mesmo, na data de 15 de Janeiro de 1975. Desconheço as circunstâncias de como este livro me chegou à mão até porque escrevi um prefácio para um livro da sua viúva Maria Eugénia Neto e nessa altura trocámos alguns livros. Mas até pela gralha é um livro especial. Gralha ou algo mais pois trocar Mauriac por Maurois não é para qualquer um. Só mesmo um grande acaso proporciona uma confusão como esta. José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 14:36

Sexta-feira, 28.03.14

rui zink - a metametamorfose e outras fermosas morfoses

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«Narcóticos» de Camilo Castelo Branco ou «Aprendiz de Feiticeiro» de Carlos de Oliveira são dois exemplos muito conhecidos daquilo que, para muitos, é o livro ideal –a miscelânea. Praticante das notas de leitura publicadas em jornais, revistas e programas de rádio desde 1978, muito cedo cheguei ao quase «lugar-comum» de afirmar «Toda a literatura é uma homenagem à literatura». Como é aqui o caso. No primeiro texto deste livro é Frank Kafka o homenageado no centenário da publicação de «A metamorfose». Tal homenagem consiste na narrativa ao contrário da sua novela famosa; ao contrário porque em vez de acordar metamorfoseado num insecto monstruoso, Gregor Samsa acorda como «pessoa normal». O segundo texto parte de um incidente quotidiano («Cortaram-me a electricidade») para alcançar uma dissertação sobre o romance: «A tessitura de um romance pede um misto de crença e descrença. Crença na nossa capacidade de reescrever o Mundo; descrença na capacidade do Mundo de ficar melhor do que o que é». Partindo do trabalho do escritor («fingir que trabalhamos a superfície a fim de escavarmos o que nos cala bem fundo. Dizer as palavras para fazer falar o silêncio») chega-se a uma conclusão: «a realidade é perder. Perder é que é real. Não conseguir fazer as coisas que nos propomos fazer é que é real. A verdade está aí, a essência da vida está aí: no fim todos morremos, até o herói, até o filho de Deus feito homem morre. Todos somos derrotados. A derrota é verdade; a vitória – pura ilusão.» O terceiro trabalho («Monzeit») é uma original biografia de alguém que foi conhecido de poucos e deve a Baptista Bastos sem hífen um retrato bastante elogioso numa crónica dos anos 50. Trata-se dum pretexto para revisitar o sistema cultural português: «Em Portugal a vingança é apenas uma questão de paciência». No fim da viagem a alguns aspectos da cultura portuguesa, fica uma ideia: se Monzeit não existiu resta-nos sempre ao menos o livro de crónicas de Baptista Bastos. Sem hífen, para dar mais peso ao mistério. Em «Aquashow» ou em «A gaivota e o peixe» é o insólito que se instala no quotidiano tal como em «Largar Kristeva» quando um homem diz em brasilês para o outro: «Você está sozinho e você se apaixonou por uma garota metade da sua idade, cara pra caramba e que agora quer um bebê.» Na peça de teatro «Pandora boxe» um jovem casal aguarda que os homens da água, da luz e do gás façam ligações na casa nova mas o pano de fundo é o drama de terem quase 40 anos: «Divorciam-se porque começam a beber. Ficam sem direitos sobre os filhos excepto de os pagar e de os ver de duas em duas semanas, para os putos lhe mostrarem o quanto os odeiam por terem deixado a mãe…» Nota final: uma bela miscelânea, uma homenagem à literatura. (Editora: Teodolito, Editor. Carlos da Veiga Ferreira) --

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por José do Carmo Francisco às 14:20

Quinta-feira, 27.03.14

livros de 2008 - joão rui de sousa

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«Quarteto para as próximas chuvas» de João Rui de Sousa
João Rui de Sousa, um dos mais importantes poetas portugueses, publica regularmente desde 1960. Este «Quarteto» é o seu 17º título de poesia editado. Os poemas deste livro partem do lugar do Poeta: «O rosto. A escrita. A escrita / do rosto. O rosto da escrita. / Para além de tudo isso / sou um animal desaquietado / pela fragilidade dos cômoros / pela inclemência das chuvas / pelo fugidio dos pássaros / pelo inacessível das penedias / pelo íngreme e sinuosos dos caminhos / e, sobretudo, pelo sabor sempre inebriante / e sempre inesperado / da escrita e do rosto.» Mas não deixam de chegar ao lugar do Mundo: «Os poetas são pontes / para numerosos recados. / Em certos momentos eles poderão crescer / bem por dentro das sua próprias prateleiras / e armários, no porão mais obscuro de um navio / muito íntimo; noutros instantes, todavia, / eles podem com palavras de alvor / e de resistência, ajudar a erguer as traves / de uma cidade aberta, de uma pátria livre.» Entre o Poeta e o Mundo, a ameaça da Morte só pode ter resposta no Amor: «É bom que sejas tu e não a morte / o sumo do calor destas viagens: / as dos lábios mais rentes na cintura / as dos beijos que ardem nas espáduas. / É bom que sejas tu e não o vil ensejo / de alguém a destruir as nossas bodas: / colados bem na pele seremos deuses / e os anjos sorrirão porque não sabem». Nega-se a Morte no acto de Nascer («Nascer é já galgar (ou destroçar) / esses muros que exortam à vitória da inércia / à rasoura da morte, à aridez do nada»), nega-se a Morte ma força da palavra: «Estreitos são, afinal, todos os caminhos. / Por eles terá de viajar a carne dos poemas. / Quase sempre as palavras serão sombras / de puras circunstâncias, acidentes fortuitos / pedaços de papel caídos na berma dos passeios… / Mas é por elas que se recortará o rosto do real.» (Editora: Publicações Dom Quixote) José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 15:46

Segunda-feira, 24.03.14

livros de 2008 - os «narcóticos» de camilo castelo branco

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Camilo Castelo Branco subintitula este seu livro (uma miscelânea) como «Notas bibliográficas, históricas, críticas e humorísticas» e avisa os leitores: «O leitor não se assuste. Pelo facto de chamar-se Narcóticos o meu livro, abstenha-se V. Exa. da pretensão egoísta de abrir a boca logo que abrir o livro e estirar-se de papo acima numa regalada modorra cheia de roncos assobiados em cromática infernal pelas trompas nasais. Não pretendo ser mais opiado e calmante que outro qualquer livro nacional. Estimo que adormeçam mas devagar, com os espreguiçamentos usuais nas duas Câmaras e etiquetados com frascos na grande farmácia do Diário das Cortes». Camilo comenta a sub-literatura, os direitos de autor, discorda de Alexandre Herculano e afirma: «A literatura-mercadoria, a literatura-agiotagem tem na verdade progredido espantosamente». Mais à frente, sobre a poesia, proclama: «A poesia não tem presente: ou é esperança ou saudade». As eleições de 1879 originam esta observação: «O Governo progressista de 1879 fez retroceder a liberdade do sufrágio a 1845, com a diferença que antepôs à violência da paulada o suborno das consciências com mais suaves pressões, exceptuando os dorsos que as sentiram duras». A suspensão do «Boletim da Bibliografia Portuguesa» dirigida por Fernandes Tomás merece a Camilo este reparo: «A suspensão deste periódico é um dos sintomas da podridão que nos vai relaxando e acanalhando a um raso de desprezo das letras que não tem semelhante em parte do Mundo, onde, alguma hora, houvesse livros e civilização». (Editora: Bonecos Rebeldes, Capa: Fernando Martins, Revisão: António Bárcia) José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 21:13

Domingo, 23.03.14

livros de 2008 - adalberto alves

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Nascido no Ocidente, Adalberto Alves desde sempre se deixou fascinar pelo Oriente. Não por acaso o título de um dos seus livros é «O meu coração é árabe». O seu ponto de partida são as palavras: «há palavras / impossíveis de ser ditas / como corações / que nenhum peito comporta / são palavras sem nome / mudas / noites sem lua». O seu ponto de chegada é o amor: «mesquinho é quem não soube amar / nem provou jamais a embriaguez do amor / ó tu que nunca amaste, como dás valor / ao ofuscante sol e à luz do luar?» Pelo meio uma viagem pelos mitos do nosso tempo; sejam eles do mundo da literatura como Lorca («Granada são meninos mouros / que o absurdo crescente devora / buraco de sete balas acordadas / um touro triste brame e espanta / o bando das bandarilhas ilegítimas») ou do mundo do futebol como Matateu: «deste cor azul à alegria / que há na finta e cada golo tem / no campo ergueste alto cada dia / o nome português e de Belém / chegaste de um terra quente / e foste acabar em terra fria / vives agora no coração da gente / que contigo aos domingos renascia / há um desafio que nunca finda / há corações batendo em sobressalto / no coro que se ouve e que te chama / está o jogo no momento alto / prá frente Matateu! um golo ainda! / todo um estádio se ergue e te aclama.» (Editora: Argusnauta, Capa: Figueiredo Sobral, Retrato do autor: Luís Veiga Leitão) José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 12:24

Sábado, 22.03.14

vitorino nemésio e a sua «jornalite» aguda

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No dia em que o CCB convida especialistas para um dia inteiro de homenagens e dissertações sobre a vida e a obra do célebre autor de «Mau tempo no canal» não me fica mal uma memória sobre a «jornalite» do homem que a começou na sua Ilha mas a veio viver para a Rua da Rosa, ali por cima da capelista: «Vivi com jornais desde menino e jornalista foi a primeira profissão que tive ao interromper o Liceu. Assim não admira que lhe ficasse ligado pela vida adiante, como leitor aturado e colaborador assíduo. Mas o que hoje interessa são as minhas mais remotas recordações de Imprensa, lá nos alvores da vida. Nessa época fabricava pessoalmente jornais. Não posso precisar se a ideia coincidiu com a oferta que meu pai me fez de um estojo de letras de borracha coladas a matrizes de madeira ou com o achado de velhos caracteres de imprensa. Mas o tempo passava. A minha «jornalite» aguda lavrava com novas exigências. Já por então ensaiava o meu contarelo e o meu soneto, fazendo desenhar a um condiscípulo frontispícios de almaço de livros imaginários. Que digo! Muito antes disso, ainda ao nível da infância dos noticiários banais ousei manuscrever uma «Notícias da Praia» que enviei em carta anónima ao único diário da Ilha, «A União». Alvoroçado e descrente, esperei um, dois, três dias, aguardando a mala à tarde, de respiração suspensa. Enfim (deslumbramento!) o meu atrevimento pegou. Lá estava a minha prosa - a primeira, reluzente da tinta de impressão. Escondi o jornal na blusa, em cima do coração, à porta do Correio e só parei de correr quando estendi a minha mãe, metida no segredo, o meu primeiro troféu de plumitivo». A citação pertence ao livro «Guia essencial da Língua Portuguesa para a Comunicação Social» de Edite Estrela e J. David Pinto-Correia. Viva Nemésio! José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 12:06

Sexta-feira, 21.03.14

livros de 2008 - manuel frias martins

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Manuel Frias Martins, doutorado em «teoria da literatura», é vice-presidente da Associação Portuguesa dos Críticos Literários e professor da Faculdade de Letras de Lisboa. Este volume bilingue (português e inglês) recolhe reflexões recentes do autor sobre temas como a tradução, a definição de literatura ou os novos horizontes da teoria literária: «Independentemente das questões de valor estético, julgo que é à presença da ficcionalidade que se deve a identificação milenar da literatura. Neste sentido, sem ficção nunca houve nem haverá literatura. Apesar daquela universalidade, aquilo que é ou não autêntica literatura esteve, desde sempre, dependente de códigos epocais dominantes. Embora mutáveis, esses códigos marcaram e marcam fortemente a evolução literária ou o diálogo intra-literário entre diferentes gerações de escritores e leitores. Isto quer dizer que os dispositivos expressivos da literatura se modificam e se transformam em função das modificações e das transformações da sociedade humana. Tanto a ideia genérica que temos do nosso presente como as congeminações que hoje podemos fazer acerca do futuro podem ser epitomizadas no extraordinário horizonte de possibilidades abertas à humanidade pela informática e pela comunicação multimédia e interactiva. São múltiplos os sinais que nos dizem que o texto electrónico irá introduzir mutações importantes nos géneros literários e implacavelmente redefinir a escrita, a leitura e também a profissão literária.» (Editora: Âmbar, Colecção: Referência) José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 18:40

Quinta-feira, 20.03.14

livros de 2008 - cristino cortes

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Neste conjunto de 77 poemas, nesta «sinfonia poética» (como lhe chamou António Salvado) o autor revisita poemas de Pasolini, Francisco Sá de Miranda, Almeida Garrett, António Nobre, Guerra Junqueiro, Pascoaes, Vitorino Nemésio, Jorge de Sena, Florbela Espanca, Miguel Torga, Alberto Pimenta, Cesário Verde, Cecília Meireles, Fernando Pessoa, Luís de Camões e Manuel Simões, em Veneza: «Deusa vivendo da beleza própria e exterior, Veneza / A aumenta e mantém com seu perfume, invencível filtro / De amor atraindo o tempo e os deuses, os da música / Aérea e aquática fluindo em força da natureza». Música de viagem porque viaja entre o «eu» e o «Mundo» mas também viagem ao lado de dentro da construção do poema: «Em todo o sítio a encontro, nas viagens que abraço / Ou imagino, também entre as pregas da rotina / Desse fluir diário, qual face de vulgar esquina / Com ela vivo e decerto que bem pouco faço! / É uma inconsciência quase, específica forma / De respirar, um pressentimento, um vago aroma / Na atmosfera se evolando ou pressentindo, oh dona / De magia e mistério, sem fixar regra ou norma! / Ela é fado ou destino, uns dirão graça ou bênção / E outros, talvez, falha, falta ou maldição, depende / Da perspectiva, objectivos em que alguém se entende / - Estes anos em que por algo bate o coração… / Ando com ela, sou-lhe fiel, e não saberia / Fugir-lhe ou deixá-la, mistério, aragem esguia.»

(Edição: Papiro Editora, Capa: Ana Machado, Apresentação: António Salvado) José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 22:14

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