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Transporte Sentimental



Sábado, 28.12.13

irene pimentel poderia ter utilizado este texto no seu livro

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Irene Pimentel poderia ter utilizado este incidente no seu livro dos espiões. O Cais do Sodré e a sua memória nunca terminam mas as vinte linhas não perdoam. Ficou por reproduzir no texto anterior o episódio contado por Joaquim Martins: «O Mário Nobre, que havia trabalhado sempre no Cais do Sodré, era Delegado no Ministério da Marinha de uma Comissão que tratava da recepção do carvão britânico transportado em comboios de navios para Lisboa. A chegada só era conhecida de três indivíduos da Comissão que mantinham sigilo absoluto. Qual não foi o espanto do Mário Nobre, quando um estivador lhe disse no Cais do Sodré: Sr. Mário, amanhã às sete, chega o comboio! O Mário ficou espantado mas o comboio chegou mesmo! A espionagem também funcionava bem no Cais do Sodré…» Conclusão provisória: todos os livros estão incompletos porque aparece em qualquer altura mais uma história que poderia ter entrado. Enfim. Uma figura típica que recordo das minhas idas ao Cais do Sodré para pagar fretes era o chinês das gravatas «balatlas» que era assim que ele dizia em vez de baratas. E o Aleixo que andava pelo British Bar a oferecer vigésimos e tinha um cartão-de-visita rectangular. No centro mandou escrever «M. Aleixo Morais – Retired» e nos cantos estas expressões «No Money» «No business» «No phone» «No adress». Outra memória, não minha que estudava à noite mas do próprio Joaquim Martins, tem a ver com os músicos do Texas Bar. Eles tocavam dentro de um bote «pendurado» no espaço da parede e muitas vezes naquelas noites de «borrasca» eram obrigados a tocar com mais força para evitar o naufrágio. Segunda conclusão: as histórias são intermináveis e do Cais do Sodré há sempre mais uma para contar. O espaço é que não dá para mais. Hoje ficamos por aqui. José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 10:15

Sexta-feira, 27.12.13

cais do sodré na lenda e na história - sobre foto de horácio novais

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A foto será da 24 de Julho mas nem é importante a sua localização. Serve bem para enquadrar a minha revisitação ao espaço do Cais do Sodré onde comecei a ir em 1966 pagar fretes aos escritórios dos agentes de navegação. Descobri no «site» dos «Pilotos da Barra» um texto de Joaquim Martins enquadrado por uma introdução de Ricardo H. Fernandes: «Acreditem – O Cais do Sodré era mesmo o Centro, se não do Universo, pelo menos do Mundo.» O texto do ex-piloto Joaquim Martins abre deste modo: «Era no Cais do Sodré que passávamos uma boa parte da nossa vida de trabalho exactamente porque era ali que estava estabelecida a grande maioria das agências de navegação e alguns Armadores nacionais.» Firmas como Pinto Basto, Garland Laidley, João de Brito, Wiese, D.A. Knudsen, James Rawes, Orey Antunes , Otto Wang, John Beckmann, Germano Serrão Arnaud, Marcus & Harting, Ocidente, Navecor, Navex, Lloyd Brasileiro, LLoret & Xavier, A.J.Gonçalves de Moares, Garraio, Sadomar, enfim todos estes nomes me dizem muito pois eu ia lá com cheques para pagar os fretes. Sem o carimbo de «frete pago» não se podia enviar o conhecimento de embarque porque a venda era «CIF» - custo, seguro e frete. Os restaurantes e cafés faziam parte do Cais do Sodré. O velho café Royal era na esquina da Rua do Alecrim onde hoje está o BPI. Escritores como Fernando Pessoa, Mário Domingues e o Repórter X foram clientes do café Royal. Outros restaurantes eram o Zé Bento, o Campo Grande e o Perú. No livro de Irene Pimentel sobre a II Grande Guerra e os espiões é curioso notar que eu ainda conheci pessoas no ano de 1966 que vinte anos antes andavam pelo Cais do Sodré: o senhor Azancot e o senhor Zoio da Norte Importadora. E o pai do Hermann José que traduzia os contratos em alemão ao balcão do BPA. Ai que saudades. José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 11:53

Terça-feira, 24.12.13

o quarto de joão garcia fica na rua da rosa - bairro alto

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O Bairro Alto chegou aos 500 anos e vale a pena recordar as palavras do meu grande amigo Ernesto Martins que durante muitos anos manteve a Livraria Biblarte. Quando me via desanimado com este lixo humano que nos rodeia tentava fazer-me sorrir porque «vereadores alucinados sempre existiram». Bastava recordar que o Miradouro de São Pedro de Alcântara esteve quase para ser nos anos 40 um Hotel e esta bela vista passaria a ser reservada aos clientes. Já passaram 70 anos mas as loucuras continuam e os vereadores alucinados desse tempo têm substitutos à altura. O Bairro Alto teve calafates e marinheiros, fidalgos e magistrados, desembargadores e conselheiros, ruas limpas e abertas, frades e mendigos, ermitões e meretrizes matriculadas, capelinhas e basílicas, cemitérios e palácios, cavalariças e tipografias, jornais e editoras, tabernas e lojas de antiguidades, capotes brancos e capotes pretos, Francisco Lázaro e Alfredo Trindade, uns Jogos Olímpicos e uma Volta a Portugal, todo um mundo no desenho em quadrilátero de um Bairro que foi copiado na Baixa Pombalina. E nunca teve becos. Camilo Castelo Branco nasceu na Rua da Rosa, Alves Redol fez do Bairro Alto o pano de fundo do seu livro «Os Reinegros» e Vitorino Nemésio escreveu parte do livro «Mau tempo no canal» por cima da capelista da Rua da Rosa frente a um talho. A capelista ainda lá está; o talho permanece mas adaptou-se à crise. Hoje vende mercearias além de azeite e vinho de origem certificada. Tudo muda num Bairro que se adapta aos tempos mas a alucinação e o delírio dos vereadores permanece. Já nos anos 40 tinham a mania do Turismo que continua tal como o desprezo pelos moradores. O sonho deles, vereadores e revista «Time Out» é que todos nós pudéssemos morrer para ficarem só os bares e os restaurantes. Vamos resistindo. José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 12:15

Domingo, 22.12.13

nuno, luís e rodrigo costa santos - 4 histórias insólitas, divertidas e inesperadas

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«O peixe sapato», «A escova preocupada» e «A nuvem e a baleia» são as «outras estórias» referidas no título deste livro feito a seis mãos. Nuno (39 anos) e Rodrigo (9 anos) assinam os textos e Luís Costa Santos (7 anos) responde pelas ilustrações numa edição apresentada no Espaço Açores (Elias Garcia) cujos direitos de autor são doados à Associação Coração Amarelo – uma entidade onde o trabalho principal consiste em fazer companhia aos idosos. Há nestas quatro histórias uma dose substancial de coisas insólitas, divertidas e inesperadas. O mesmo será dizer que o humor anda aqui à solta. Vejamos em poucas palavras o que cada uma revela ao leitor. Em «O peixe sapato» um menino deixa cair um sapato no Oceanário e o sapato transforma-se em peixe. Em «A escova preocupada» há um menino que ao dizer disparates se afirma rei de Portugal e do Brasil (onde não há reis) e tudo termina com uma pergunta inesperada: «Quem é que lava os dentes à escova de dentes?» Em «A nuvem e a baleia» as duas combinam a troca de morada por telemóvel indo a baleia para o céu e a nuvem para o mar. Por fim em «A mochila mágica» a dita mochila é misteriosa porque «os meninos na altura de chegarem a casa já tinham os trabalhos feitos» A moral da história é simples: num tempo em que circula a ideia oposta (pode haver prémio sem esforço) esta história relembra um velho princípio que nenhuma moda pode derrubar - «só com muito trabalho se alcançam resultados». O pai (Nuno Costa Santos) já integra desde 2004 o espaço público dos livros, das revistas e do jornalismo (jornais, rádio e TV) mas os jovens Rodrigo e Luís, de 9 e 7 anos, o primeiro a escrever e o segundo a desenhar, são uma inesperada, confortante e agradável revelação. (Editora Escritório - www.escritorioeditora.com) José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 17:48

Sábado, 21.12.13

cristino cortes - «uma só palavra anula o vazio»

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Este 11º título poético de Cristino Cortes (n.1953) é um livro diferente dos anteriores tal como José Fernando Tavares assinala no prefácio: «Não obstante o lado divertido desta poesia, não deixa o leitor de se encontrar perante um trabalho sério porque maduramente reflectido». Apesar de o título referir três ordens (Evidências, Inscrições, Aforismos) este livro organiza-se de facto em quatro secções: Inscrições, Dísticos, Tercetos e Quartetos. No primeiro grupo o autor define-se como alguém que incorpora os outros no seu discurso («Eu sou o outro de cada um de vós»); o mesmo é dizer «Em meu poema há sempre um tu». Entre o «eu» e o «tu» fica o fascínio da palavra («Uma só palavra anula o vazio») mas também do silêncio: «Se quiseres ouvir o som da vida não faças barulho». No segundo grupo o poeta adverte («Se filosofares na rua / Poderás ser atropelado») mas também explica «Para ouvires o mundo / Tens de te calar». Nesta dupla inscrição de um lado fica o prazer («As melhores melodias / São as risadas dos meus filhos») e do outro os limites: «Jamais saberás qual a medida certa / Se antes não provares o excesso». No terceiro grupo os poemas organizam um mapa de sabedoria. Desde a meteorologia («Se fosse eu a mandar / Raramente chovia / - E nunca de dia!») e a vida na rua («Rico, rico mesmo / É o que sente quente o coração / - Mesmo que durma no chão») até à crítica literária: «Agradece aos que te criticam / Mais eles te ajudam / Que os tão só te louvam». No quarto grupo as quadras estabelecem o equilíbrio entre a Natureza e a Cultura. Primeiro a Vida («Há pois um tempo para tudo / Mas cada um é o que faz») depois a Poesia: «Entre os poetas / Um novo poeta tem sempre lugar / - E para se instalar / Não precisa ninguém se afastar». (Edições Sempre-em-Pé, Prefácio: José Fernando Tavares, Capa: Ingrid Klinkby) José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 12:13

Sexta-feira, 20.12.13

o cemitério das livrarias no bairro alto

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Em 1551 o Bairro Alto era um bairro novo (n.1513) mas também uma zona de cemitérios. Passando a porta de Santa Catarina (hoje igrejas do Loreto e da Encarnação) as pessoas deparavam com a ermida dos Fiéis de Deus e a seu lado um dos cemitérios da cidade. Hoje é a cultura que está de luto. Na TV José Rodrigues dos Santos, o autor de várias bestas céleres, afirma que Pinheiro Chagas é um autor do século XVIII quando é bem do século XIX tal como Eça de Queirós. Numa carta de um Tribunal algarvio surge a expressão «na qualidade de falecido deve comparecer». Um jovem advogado escreveu a um colega uma carta onde afirmava «a propósito da eis mulher do arguido» em vez de «ex-mulher». O homem escreveu de ouvido como quem numa festa toca de ouvido, sem saber ler a música das pautas. Aqui no Bairro Alto, além das duas livrarias ameaçadas no Largo Trindade Coelho, elas desapareceram umas atrás das outras: Biblarte, Barateira, Guimarães, Camões, Sá da Costa, Bocage. Mas inesperadamente esta livraria Bocage que desapareceu há vários anos ressurgiu na revista publicada pela Associação de Comerciantes. Na página 45 lá aparece o nome, a morada e o número de telefone. Trata-se de um erro crasso e imagino como será doloroso para a senhora que foi obrigada a entregar a chave depois de uma carta miserável da CML a ameaçar com prisão de 3 a 6 anos por enriquecimento ilícito quando a livraria estava ali na Calçada do Combro 38 devido à inundação da outra livraria na Travessa de André Valente pela água perdida em altura de 60 centímetros de uma obra camarária. Simplesmente repugnante. Dos cemitérios de 1551, perto do ermitão que recolhia meninos desvalidos e a quem os pais pagavam um vintém pelo resgate, aos cemitérios de livrarias vai um passo de 500 anos. José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 08:51

Quarta-feira, 18.12.13

marchal será marechal ou será mesmo para marchar?

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A revista «Mais Bairro mais Alto», cuja ficha técnica refere Hilário Prego de Castro como director e António Simões (A BOLA) como editor, acaba de ser distribuída. Para mim além de outros aspectos que a seu tempo vou digerir, chamou-me a atenção a contracapa que ostenta um excelente mapa do Bairro Alto no qual um erro salta à vista: em vez de marechal Saldanha surge «marchal» Saldanha. Será caso para perguntar: marchal será mesmo para marchar? Duas ou três outras coisas que surgem a olho nu nesta revista: a Livraria Bocage aqui referida já não existe há vários anos na Calçada do Combro e a Nova Eclética, também na Calçada do Combro, chama-se mesmo Eclética e não «Eclétic» sem esquecer que a Junta de Freguesia da Encarnação já não existe enquanto tal depois das recentes eleições e o Hotel Anjo Azul (Rua Luz Soriano) aparece duas vezes como se fossem dois hotéis e não um. Outro dia li numa revista de uma Associação de Autores Portugueses (bem cuidada graficamente mas sem revisor) uma arreliadora gralha que fez aparecer num absurdo a expressão trabalhadores «despensados» em vez de trabalhadores dispensados. Assim como está até parece que os trabalhadores estão ao lado do açúcar, do arroz e do feijão na despensa. Tínhamos tido até à pouco tempo que aturar as parvoíces de um ministro das Finanças que dizia «as maturidades» em vez de os novos vencimentos isto porque a expressão inglesa «maturity date» significa de facto «data de vencimento». Qualquer pessoa sabe que a expressão maturidade se refere a um termo de Psicologia e nada tem a ver com comércio externo ou pagamentos. Ao pé disto o uso num livro da palavra «estremenha» (Estremadura) em vez de «estamenha» (tecido grosseiro) parece uma brincadeira de gente nova e sem memória nem revisor. José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 22:20

Terça-feira, 17.12.13

antologia atrevida - ler é bom, escrever é melhor

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Este livro recolhe e divulga textos (poesia e ficção) de autores entre os 8 e os 14 anos vindos de todo o mundo lusófono e que participaram no I Concurso Internacional de Escritores Infanto-Juvenis «La Atrevida». O júri integrou os seguintes membros: Delmar Maia Gonçalves, Ana Horta, Maria do Carmo Gregório, Luís Maria Marina Bravo, Tiago Gomes e António Madrid Iglésias. Segundo os editores afirmam na contracapa «Todas as crianças são poetas. Alguns sabemos disso; outros negam reconhecê-lo.» Como convite à leitura fica o registo do terceiro prémio do Concurso para André Sampaio Pereira de 10 anos (Almeirim) com o texto «A volta ao Mundo» que começa deste modo: «Era uma vez uma menina que se chamava Maria Isabel. Maria Isabel tinha um sonho e esse sonho era fazer uma volta ao mundo mas tinha apenas 7 anos.» E termina com o sonho concretizado depois de uma viagem de barco a Espanha, França e Itália: «Quando Maria Isabel voltou a Portugal, sentia-se a pessoa mais feliz do mundo». Outro texto de um autor ribatejano (no caso uma autora) é o da página 77 -«O Mar» de Beatriz Silva com 11 anos de idade (Cartaxo). Trata-se de um poema que começa deste modo: «O mar é maroto / o mar é inteligente / apresenta duas faces / para toda a gente!». E continua «Por cima é cristalino / reluzente e brilhante / Por baixo é escuro / misterioso e arrugante». Para terminar de modo triunfante: «O mar é assim: / mesmo com duas faces / não tem segredos para mim!!!» Fiquemos por aqui na divulgação. Só o uso de «arrugante» em vez de arrogante ou seja «cheio de rugas» em vez de «cheio de prosápia» já dá pano para mangas na leitura. O livro é, todo ele, um lugar fascinante. Que vale a pena descobrir e revelar. (Editora – Libreria Luso-Hispánica La Atrevida, Grafismo – Ana Rita Domingos) José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 14:23

Terça-feira, 17.12.13

vítopr serpa «quando me apetece dormir zarpo daqui para longe»

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Fundado por Cândido de Oliveira, Ribeiro dos Reis e Vicente de Melo em 1945, o jornal A BOLA já vai no 69º ano de existência e publicação. Foi nesse jornal que, entre 1979 e 2006, deixei muitos dos meus sonhos, das minhas lágrimas e do meu sangue pisado. Um amigo dos velhos tempos de A BOLA trouxe-me a edição do passado dia 14-12-2013. Em boa hora este meu grande amigo (Manuel Sequeira) me trouxe o jornal de sábado passado porque não o pude ler em primeira mão, estive em Torres Vedras até à noite- noite que chega cedo nestes tempos de Outono quase no fim. A crónica de Vítor Serpa («O Bairro Alto e eu») tem dois componentes – o passado e o presente. Sobre o passado surge uma memória bem viva de seu pais Homero Serpa - «O meu pai e o Vítor Santos a aparecerem como carvoeiros mascarrados de negro pela tinta da tipografia». De facto A BOLA era impressa nas oficinas do Diário Popular e nos anos 70 os chefes de redacção pareciam carvoeiros porque apareciam negros da tinta e do chumbo dos granéis. Também sinto a nostalgia dos caixotins e do cheiro do chumbo – afinal o meu primeiro livro («Iniciais») foi editado em 1981 pela Moraes Editora na Rua de O Século nº 34 ainda a chumbo numa tipografia da Lousã. Também me tocou (não pela emoção mas pela raiva) o facto de Vítor Serpa ter lembrado o presente do BA ao escrever: «não moro cá e quando me apetece dormir zarpo daqui para longe». Pois é. Tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é fado mas depois a presidente da Junta de Freguesia eleita pelos votos dos moradores tira fotografais com os comerciantes. Um terrível contraditório entre as ideias do programa eleitoral e a prática política quotidiana. José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 09:18

Sexta-feira, 13.12.13

«gare oriente» de álvaro luís

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A escrita poética de Álvaro Luís inscreve-se num duplo registo – geografia e cultura. Surgem no livro citações de Fernando Pessoa e de Miguel Torga. Não por acaso um dos poemas deste livro afirma: «Não é poesia / É a minha vida». Este intervalo, esta oscilação, este separador, acaba por integrar na matéria do poema não apenas a vida real mas também a memória do vivido. Como no caso do poema «Casablanca»: «Que são 500 concubinas no meio do Deserto / Comparadas com 12.000 cavalos / E tu Rick deixaste fugir a Ingrid / Porquê». Ou o encontro impossível na prática mas possível na poesia entre Calamity Jane e Buffalo Bill: «Montada no teu cavalo/Casaco pele de veado/Com franjas/Olhar de atiradora/Surgiste/E eu Buffalo Bill/Reformado/Camisa azul aos quadrados /Fiquei ali parado». A Poesia é feita de palavras como em «Nós» («Nós para unir / Nós de pesca / Nós de correr / Nós de encurtar / Nós os dois») mas também de jogos de palavras como no poema «Viagem a Marte»: «Ali estás pronta a partir / Ir para Marte contigo / Resolveria tudo momentaneamente /Ao longe as bombas vão caindo de mansinho / Será possível de vez / conquistar esta morte que me espera.» Livro também de viagens (a viagem como metáfora da vida) aqui se inscreve o lugar da infância («Senti saudades / E fui procurar-me /Ao bairro onde vivi»)ou do passado («Eu sei que a minha vida está perdida / Que o amor me abandonou há muito») mas também a Cabul («Esta manhã / O comboio para Cabul / vinha cheio») ou ainda ao tempo-memória do «25 de Abril: «Aqui posto de comando / Das Forças Armadas / Lisboa acordou sobressaltada». (Prefácio: Risoleta Pinto Pedro, Capa: Sociedade de Geografia Lisboa, Edição do Autor, Nota contracapa: José Alberto Varandas) José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 15:23

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