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Transporte Sentimental



Sexta-feira, 02.08.13

«na ericeira com amor» de luiza caetano

Ericeira com Amor OST 41x35.JPG


Luiza Caetano – dissertação para um quadro na Ericeira Para o caso não interessa saber se esta Casa Sagrada ao fundo se chama Capela ou Igreja de Santa Marta. Nem saber se a noiva foi mesmo abandonada ou está ainda à espera do noivo. O quadro é um pretexto, um ponto de partida para uma viagem à volta dos indícios, dos motivos ou das razões. A noiva surge na sua mais perfeita solidão: nem a avó, nem a mãe, nem as irmãs, nem as primas se juntam no clamor de afirmar o seu estado. Não se entende se a noiva teve enxoval, gavetas cheias num sótão, panos de lençol, bordados, rendas, coisas muito bonitas e fruto de paciência nas noites de Inverno. Não se percebe nem se adivinha o acompanhamento porque não se sabe se na sua paisagem povoada há gente da terra ou das aldeias vizinhas, gente que nasceu e viveu a ouvir o vento do mar contra os muros de pedra que separam as fazendas – o outro nome dos terrenos. Frente ao Largo de Santa Marta onde hoje se disputam arduamente lugares de estacionamento já houve uma velha feira de alhos com gente que vinha em carroças para vender os alhos em grossas sacas de serapilheira. Agora abrem-se os portões do Parque onde outrora havia água medicinal e se jogava mini golf. Hoje ouvem-se ranchos folclóricos aos sábados à noite e o seu som ritmado chega aos cafés da noite, dezenas de metros acima. No largo de Santa Marta a noiva desafia o nosso olhar habituado a tudo menos ao inesperado. Nada sabemos da sua biografia anterior, do seu trajecto humano, seus desafios e suas dúvidas. A noiva afirma-se nas cores da sua solidão inesperada mas irredutível, o quadro sugere o prosseguimento da solidão daquele momento. Nunca o saberemos mas o quadro sacudiu a monotonia da nossa quotidiana e repetida noção de alheamento. A noiva ficou em nós. José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 20:46

Sexta-feira, 02.08.13

da benzina de eça de queirós ao raticida de herberto helder

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Herberto Helder – em 1990 a propósito da APE, da benzina ao raticida Comecei a escrever em jornais em Agosto de 1978 e vi na rua o primeiro livro em Outubro de 1981. Com o meu trabalho de 9 horas diárias num Banco e a tarefa de criar três filhos (Ana-1978, Filipe-1981 e Marta-1985) não tenha as minhas memórias organizadas. Mas a propósito do caderno do «Diário de Notícias» sobre a obra de Herberto Helder virá ao caso lembrar a história das cartas anónimas. Não tudo mas algumas coisas. Por exemplo: tenho a carta anónima, exemplar de parvoíce, cobardia e estupidez com data de 26 de Maio de 1990. Trata-me por «caro companheiro» e afirma que eu sou «vítima da situação que se vive na APE» e diz que José Fernando Tavares é familiar de José Correia Tavares, coisa que é obviamente falsa. Ora uma carta anónima é, pela sua natureza, uma coisa repugnante mas o jornal «Público» tratou esse «material» como coisa fidedigna. Torcato Sepúlveda assinou em 27-9-1990 um texto com o título de «A nódoa» no qual toma a sério as «informações» da carta anónima e, na tentativa de se justificar, apela à memória dos leitores para autores como Eça de Queirós, Manuel de Lima e Fernanda Botelho que em livros («Os Maias», «Malaquias» e «Festa em casa de flores») utilizam a carta anónima. Mas isso é literatura, nada tem a ver com jornalismo de gato escondido com rabo de fora. O rabo de fora era o sonho (impossível de concretizar) de alguém poder destruir a APE a partir de elementos de uma carta anónima. Como tal parva, cobarde e estúpida. Lembro-me bem do sorriso de Torcato Sepúlveda depois de ter arrancado de Herberto Helder uma bênção para o seu plano. «Raticida com eles!» terá dito o poeta depois da história contada à sua maneira pelo jornalista do «Pùblico». Depois da benzina de Eça de Queirós, ficou o raticida de Herberto Helder. «Raticida com eles!». Pois… José do Carmo Francisco --

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por José do Carmo Francisco às 14:30


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